quinta-feira, 30 de outubro de 2008





"Não existe um caminho para paz! A paz é o caminho!"

Gandhi

domingo, 26 de outubro de 2008

O Dono da Bíblia

Sei que escrever cartas é antigo, assim como ouvir rádio. Mas quem pode negar a beleza de algumas coisas antigas?!
Ouvi no rádio sobre um projeto - A BÍBLIA MANUSCRITA -logo me interessei, primeiramente porque teríamos a oportunidade de fazer como se fazia há séculos, mas quando soube do objetivo maior do projeto, o interesse aumentou! O projeto deseja unir as igrejas, todas elas, num só propósito: AJUDAR AO PRÓXIMO.
Esse projeto visa doar gratuitamente Bíblias para qualquer cego que queira possuir uma Bíblia em braile, e aí, mais uma vez se mostra a beleza do projeto: INCLUSÃO. Num mundo inteiramente excludente, ainda há pessoas remando contra a maré!
Fomos até a Sociedade Bíblica do Brasil, que DÔOU todo o material para efetuar o trabalho de transcrição da Bíblia. "Que maravilha!", pensei eu...
A cada versículo escrito, era sugerida a doação de APENAS R$1,00 (1real) para que as Bíblias fossem doadas (detalhe:Cada Bíblia em braile mede aproximadamente 1,70 m e custa em média 2.000 reais), se todas as igrejas no Brasil inteiro se unissem, que maravilha, mais pessoas seriam incluídas e evangelizadas, numa sociedade tão carente de Deus e o melhor de tudo: poderiam conhecer a vontade de Deus através de suas próprias mãos, literalmente.
Continuando a história, que começará a ficar menos legal a partir de agora...
Levamos a Bíblia a ser manuscrita até a igreja.
Seguiu-se todo o protocolo de falar com o responsável pela Igreja...
Os adolescentes, se interessaram em oferecer seu tempo e para ofertar 1 real,abdicaram do refrigerante ou das balas(acho que é isso que a BÍBLIA diz a respeito de ser como crianças...). Então alguns deles escreveram. Algumas outras poucas pessoas se interessaram, principlmente recém-convertidos(acho que eles também sabem o valor de conhecer o que há naquele magnífico livro).
Mas semanas se passaram, o livro a ser transcrito à disposição e nenhuma mobilização, nem de púlpito, nem de pessoas para se doar, unir-se em um só próposito.
As pessoas chegaram a dizer que não iriam perder o tempo delas escrevendo...
Me questiono quanta mobilização há para uma viagem à "terra santa", a fim de conhecer a terra onde a igreja começou, sem ao menos saber o significado de ser igreja... ou para irem a cruzadas evangelísticas e congressos para encherem-se da Palavra, mas encher e doar para quem? É tão irônico isso...
A palavra grega traduzida como "igreja" significa, literalmente, "chamado para fora"... não só do pecado, mas também somos comissionados a estender as mãos em ajuda e união.
Penso em como o DONO DA BÍBLIA deve se sentir enquanto observa a "igreja" em seu "trabalho".
Não falo aqui pleiteando em causa própria, mas por uma causa que deveria ser abraçada por todos, mostrando a quem servimos e como conseguiriamos ir longe se lutassemos juntos por ma mesma causa. Falo das milhares de pessoas excluídas, marginalizadas e que não têm como enxergar as palavras da Bíblia. Não é que não queiram ver, elas simplesmente não podem... A Igreja que deveria sair para para levar a mensagem de salvação está trancanda em si mesma, em guetos egoístas, excludentes, sem tempo, sem ouvir o chamado aflito dos que tateiam na escuridão (literalmente ou não). Isso me entristece profundamente. Hoje tenho um dos meus braços engessado, essa limitação passageira me faz perceber o quanto é difícil escrever todo esse texto com apenas uma das mãos, mas isso é temporário, imagine a difículdade diária de quem não vê, não ouve, não anda, de quem é marginalizado...
Se estou triste assim, imagino como CRISTO deve se sentir ao observar nossa "boa vontade" em proclamar as boas novas.
Imagine se o Dono da Bíblia não tivesse tempo de se doar, morrer e ressurgir por você... onde você estaria?
Na mais profunda escuridão, com toda a certeza!

Amanda Oliveira - Filha da Luz

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Cego de Jericó


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Não sei se estou vivo ou não
Tirando a areia dos meus olhos,
Vi meus pés longe do chão
Corpo leve como algodão
Mundo morto ninguém sente
Mas eu vejo diferente
Se tudo está aqui e o meu corpo não morreu
Pura verdade, grande é a transformação
Eis que vem o peso do toque da mão de quem
Esteve lá quando eu estava só
Mais de uma vez, eu só quis ficar bem
E fiquei bem melhor
Quem criou o céu e o mar...

Ao acordar não terás o nó
Que o prende às leis
Vi a queda de reis perante um nome só
É por amor que ainda existo
Hoje renasço em Cristo, mais um cego em Jericó

Sei que me ouviste quando ajoelhei no chão
Pedi perdão e disse adeus ao homem triste
Vou me entregar a Ti, por tudo que aconteceu
E pelo que há de vir
Quando segurou a minha mão
Finalmente eu soube que era o Deus vivo quem
Esteve lá quando estava só
Mais de uma vez, eu só quis ficar bem
E fique bem melhor
Quem me ensinou a amar....

Ao acordar não terás o nó
Que o prende às leis
Vi nas trevas o rei que se achou maior
Que o poder que eu tenha visto
Grande é o nome de Cristo
E quem se humilha como Jó
É por amor que ainda existo
Hoje renasço em Cristo
Mais um cego em Jericó
Se faça como previsto
O poder do Sangue de Cristo
Vai te levantar do pó

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sábado, 22 de dezembro de 2007

O mundo para todos

(Cristovão Buarque)



Durante debate recente, nos Estados Unidos, fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro.
Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da Humanidade. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo . O Louvre não deve pertencer apenas á França. Cada museu do mundo e quardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de, a um proprietário ou de um pais. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro e de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido rnacionalizado.
Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos o EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o pais onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.

sábado, 15 de dezembro de 2007

O Deus dilacerado

O Cristianismo é a única religião do mundo que tem a sua base de fé numa tragédia. A morte de Buda não é importante para a filosofia budista. Como Maomé morreu também não é importante para um muçulmano. Nenhum chinês está interessado se Confúcio foi ou não torturado até a morte. Mas será que um cristão poderia dizer que a morte de Jesus não é importante? O Cristianismo, na verdade, nos brinda com um desconfortável e pesado paradoxo: um homem que nasce do espírito e morre fisicamente dilacerado. Por que isso? Não poderia ter sido outra a história? Esse choque é também uma dificuldade encontrada pelos missionários para evangelizar pessoas de outras culturas.

Phillip Yancey conta que certa vez, na China, missionários tiveram uma inesperada reação dos habitantes locais quando eles, após ouvirem a história de Jesus, rejeitaram a sua parte final, por ser feia e triste, e se encantaram com a parte inicial, que fala de uma virgem que deu luz a uma criança.

Não seria melhor, então, omitirmos o final da história? Se pensarmos bem, não. A história não poderia ter sido outra. Se fosse de outra forma, não seria perfeita, não seria para nós. O que, neste mundo, é tipicamente humano? O que você responderia se alguém lhe fizesse essa pergunta? Vaidade? Ganância? Lúcifer não é humano e foi vaidoso e ganancioso. Só há uma resposta: a morte. E, relacionado a ela, a dor física. Se Deus tivesse se transformado em homem e tivesse voltado aos céus antes de morrer, não teria sido um homem. Para realizar o seu maior milagre – transformar-se em carne, em um ser limitado e temporal, ser igual a nós –, a obra tinha que ser completa: Ele teria que passar pela morte! E fez muito mais: antes de morrer, enfrentou o medo e uma das piores seqüências de dor física que se possa imaginar. Deus sofreu!

Às vezes nós estamos tão viciados em nossas rotinas, em nossos problemas do dia-a-dia, nos achando tão sofredores, que nunca paramos para pensar que Deus, Aquele para quem dirigimos nossas petições diárias, sofreu muito mais do que tudo pelo que passamos todos os dias... tudo somado! Será que quando Isaías escreveu "as nossas dores levou sobre si" (Is 53:4), ele estava se utilizando de um recurso poético, metafórico, para causar impacto?

O dr. Alexander Metherell, conhecido médico dos EUA, reconhecido como diagnosticador pelo Conselho Americano de Radiologia e consultor do Instituto Nacional do Coração, do Pulmão e do Sangue e dos Institutos de Saúde de Bethesda, em Maryland, fez um minucioso e científico relato do que Jesus passou até morrer na cruz.

Tudo começou logo após a última ceia, no jardim de Getsêmani. Lucas, também um médico, relata que Jesus suou sangue (Lc 22:44). Essa é uma condição médica conhecida, chamada hematidrose, e está ligada ao alto grau de estresse psicológico. A angústia e a ansiedade extremas ocasionam a liberação de produtos químicos que rompem os vasos capilares nas glândulas sudoríparas, o que faz o suor brotar misturado com sangue. Um dos efeitos disso é que a pele fica muito frágil. Isso significa que Jesus se apresentou para o açoitamento romano, que aconteceria dali a algumas horas, com a pele bastante sensível.

Jesus, após ser inquirido por Pôncio Pilatos, foi açoitado ao estilo romano, e não ao judeu. Este último era de 40 golpes menos um. Mas o romano (more romanorum) não tinha limite. Simplesmente era suspenso quando assim achava conveniente o executor sententiae. Usava-se um chicote de tiras de couro traçadas, com bolinhas de metal amarradas. Presos ao açoite havia ainda pedaços afiados de ossos, que cortavam a carne profundamente. As costas das vítimas ficavam tão maltratadas que às vezes os cortes profundos chegavam a deixar a espinha exposta. As chicotadas cobriam toda a extensão do dorso, desde a nuca até o traseiro e as pernas.

Metherell conta que um médico que estudou os castigos infligidos pelos romanos certa vez disse que à medida que o açoitamento continuava, as lacerações atingiam os músculos inferiores que seguram o esqueleto, deixando penduradas tiras de carne ensangüentadas. Eusébio, historiador do século III, deu o seguinte relato: "As veias do sofredor ficavam abertas, e os músculos, tendões e órgãos internos ficavam expostos". Muitas pessoas morriam desse tipo de suplício antes mesmo de chegarem a ser crucificadas. Segundo Metherell, a vítima entrava em choque hipovolêmico; ou seja, sofria os efeitos da perda de grande quantidade de sangue. O coração se esforça para bombear mais sangue, a pressão sangüínea cai, causando desmaio ou colapso, os rins param de produzir urina e a pessoa fica com muita sede. Por isso Jesus diria mais tarde "Tenho sede" ao estar na cruz (Jo 19:28).

Jesus estava em choque hipovolêmico quando se arrastou pela rua em direção ao Calvário, carregando a viga horizontal da cruz (chamada de patibulum), que devia pesar em torno de 60 quilos (ao contrário do que muitos pensam, não se carregava a cruz inteira, apenas a sua parte horizontal; a outra parte já se encontrava erguida no local da execução). Colocada sobre a nuca e ombros, a cada passo e espasmo os espinhos afiados deviam ser pressionados pela madeira, cravando-se cada vez mais profundamente no couro cabeludo. Jesus então acabou caindo, devido aos efeitos do citado choque hipovolêmico, e o soldado romano, vendo seu estado, teve que ordenar a um espectador, Simão, que carregasse a cruz (Jo 19:17 e Lc 23:26).

Ao contrário do que muitos imaginam, Jesus foi crucificado pelos pulsos, e não pelas palmas das mãos. Se os pregos furassem apenas a palma da mão, o peso do corpo a rasgaria e a vítima cairia da cruz. Na linguagem da época, os pulsos eram considerados parte das mãos, por isso que Jesus, após a ressurreição, usou o termo "mãos" quando falou ao cético Tomé (Jo 20:27). Os pregos, bem afiados e de aproximadamente 15 centímetros, atravessavam o lugar do braço por onde passa o nervo central. Esse é o maior nervo que vai até a mão, e era esmagado pelo prego. A dor, relata Metherell, é simplesmente insuportável. Na verdade, está além da descrição por palavras, tanto que foi necessário se inventar uma nova palavra: dor "excruciante". Essa palavra significa literalmente "da cruz". Foi necessário criar uma palavra para descrever o que Jesus sentiu! E Jesus passou por essa dor quatro vezes: duas vezes nas mãos e duas vezes nos pés.

Mas antes de se perfurar os pés, o patibulum é içado, juntamente com a pessoa pregada, até ser encaixado na vergôntea da viga vertical. Essa operação provoca a queda do peso do crucificado até este ser freado pelos pregos que atravessam os pulsos. A dor, segundo os médicos, deve ter sido igualmente insuportável. Uma vez o corpo pregado na cruz, os braços ficam imediatamente esticados; os ombros saem do lugar e as juntas se distendem 15 centímetros. Por isso Salmos 22:14 diz: "Todos os meus ossos estão desconjuntados".

A crucificação é, em essência, uma lenta agonia até a morte por asfixia. A razão disso é que a tensão dos músculos e do diafragma deixa o peito na posição de inalar. Para exalar, a pessoa tem de firmar-se sobre os pés, para aliviar por um pouco a tensão dos músculos. Ao fazer isso, o prego rasga o pé, até se prender contra os ossos do tarso. Depois de conseguir exalar, a pessoa pode relaxar e inalar novamente. Mas logo em seguida é preciso empurrar-se novamente para cima, para exalar, esfregando suas costas esfoladas contra a madeira áspera da cruz. Isso se repete até a exaustão total, e a pessoa não consegue mais se erguer para respirar.

Ao diminuir a respiração, a vítima entra no que é chamado de acidose respiratória: o dióxido de carbono no sangue é dissolvido em ácido carbônico, fazendo a acidez do sangue aumentar. Isso faz o coração bater de modo irregular. Quando isso começou a acontecer, Jesus percebeu que estava chegando a hora da morte, e então disse: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito" (Lc 23:46). Depois morreu de ataque cardíaco, com um grande grito (Mc 15:37).

Um soldado romano então enfia uma lança no corpo de Jesus para se certificar de que ele estava realmente morto. João relata que saiu sangue e água (Jo 19:34). Isso se deve ao choque hipovolêmico, que deve ter feito o coração bater rapidamente por algum tempo, o que teria contribuído para fazê-lo falhar, resultando no acúmulo de líquido na membrana em torno do coração, chamado efusão pericardial, bem como em torno dos pulmões, chamado efusão pleural. A lança provavelmente atravessou o pulmão e o coração de Jesus e, quando foi tirada, fez sair esse líquido.

Nenhuma pintura clássica jamais pintou o verdadeiro Jesus crucificado. Talvez se fosse possível mostrar uma foto de como Jesus provavelmente estava na cruz, muitas pessoas poderiam dizer: "Não, esse não é o meu Jesus!"; "Não, Jesus era Deus... Deus não é assim". Mas o fato é que, sim, era Deus... cortado, inchado, perfurado, deformado, dilacerado. Deus tornou-se homem e, como um homem, nos salvou.

Mas, felizmente, a história não termina na sua morte. Dois dias seguintes a toda essa dor há um túmulo vazio. Muitas pessoas céticas questionam se realmente ele ressuscitou, se não foi uma história inventada posteriormente. Bem, para responder a esse questionamento, basta relatar o seguinte: Tiago, irmão de Jesus, foi apedrejado até a morte; Paulo, o missionário, foi decapitado em Roma; Pedro, apóstolo, foi crucificado de cabeça para baixo por Nero; os apóstolos André, Tiago (Alfeu) e Simão (o zelote) foram também crucificados; Bartolomeu foi golpeado até a morte e o outro Tiago (Zebedeu) morreu ao fio da espada a mando de Herodes; Felipe, Mateus, Tadeu, Tomé e Matias foram igualmente martirizados.

Resumindo, todos os apóstolos, menos um, foram executados. Por que tiveram esse fim trágico se no dia em que Jesus foi preso todos fugiram e/ou o negaram (à exceção de João, o único que não foi assassinado)? O que faria o irmão de Jesus, que antes não acreditava nele, morrer por ele? O que faria um fariseu caçador de cristãos, como Saulo, se converter e morrer por ele? O que faria os apóstolos enfrentarem um Império e se entregarem à morte por uma mensagem? Acho que ninguém, em sua sã consciência, faria isso por uma mentira. Só há uma resposta possível: Jesus apareceu para eles depois da morte.

A origem do Cristianismo é uma história triste, trágica, horrenda. E tudo começou porque Deus voluntariamente se submeteu a uma forma humilhante e excruciante de tortura. E o que é mais importante: experimentou a morte. Por que fez isso? Só há uma resposta possível: por amor.

Se algum dia você se sentir angustiado, preste atenção se você chega a suar sangue. Se a vida machuca, veja se ela o deixa com tiras de peles penduradas, partes internas de seu corpo expostas e um rio de sangue aos seus pés. Se o caminho à sua frente é tortuoso, tente andar com seus músculos cortados e quase despedaçados, com um peso que empurra espinhos para dentro de seu crânio e abre mais ainda feridas profundas nas suas costas. Se você acha que não há mais saída para seus problemas, imagine simplesmente esperar a morte inexorável e lenta por asfixia dentro de um corpo todo desconjuntado e perfurado.

Um dia fiz uma oração equivocada a Deus, e Ele me respondeu: "Respeite a dor que eu senti". Desse dia em diante, quando elevo meu ser em oração, passou a ter muito mais sentido para mim dizer apenas "Eu te amo" ou, simplesmente, "Obrigado".


Tiago Ivo Odon

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Deus entre os “Cansei”

"Não se deve tomar o nome de Deus em vão. Mas não seria irreverência ao seu nome colocá-lo entre a multidão que está participando do Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, mais conhecido como “Cansei”. Enquanto muitos estão cansados de tanta corrupção, de tanta injustiça, de tanta hipocrisia, de tanta pornografia, de tanta irresponsabilidade, de tanta bala perdida, de tantos crimes, de tantos acidentes aéreos — o cansaço de Deus não é muito diferente.

Ao se dirigir ao povo de Israel por intermédio do profeta Isaías, Deus declara: “Vocês me cansaram com os seus pecados e me aborreceram com as suas maldades” (Is 43.24, NTLH). Em ocasião anterior, Deus já havia se queixado da hipocrisia religiosa do povo: “As Festas da Lua Nova e os outros dias santos me enchem de nojo; já estou cansado de suportá-los” (Is 1.14, NTLH).

Jesus também externa o seu cansaço: “Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los?” (Mt 17.17).

Talvez essa semelhança entre o clamor do povo e o clamor de Deus nos ajude a entender melhor a reação do Senhor frente à teimosia pecaminosa do ser humano."

terça-feira, 20 de novembro de 2007

ABORTO

Deixo que as "mães" falem:



segunda-feira, 19 de novembro de 2007

O Senhor da dança

" Eu dancei na manhã em que o mundo começou,
Desci do céu e dancei na terra.
Em Belém, onde nasci.
Dancei para os escribas e fariseus,
Mas eles não dançaram e não me seguiram;
Dancei para os pescadores, para Tiago e João;
Eles vieram a mim e a dança continuou.
Dancei no sábado quando curei o paralítico,
O povo santo disse que isso era vergonhoso;
Chicotearam-me, deixaram-me desnudo e me suspenderam ao alto;
E deixaram-me ali, sobre uma cruz, a morrer.
Dancei na sexta-feira, e o céu escureceu;
É difícil dançar com o pecado do mundo em suas costas;
Sepultaram meu corpo e acharam que era o fim,
Mas eu sou o Senhor da dança e continuo a dançar.
Derrubaram-me, mas eu me levantei.
Eu sou a vida que nunca jamais morrerá;
Viverei em você, se você viver em mim;
Eu sou o Senhor da Dança.
Dance, então, quem quer que você seja;
Eu sou o Senhor da Dança.
Eu o guiarei aonde quer que você for,
Eu o guiarei na dança."
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Acredito nisso, lembro desses versos quando é ardua a jornada, lembro que posso dançar, em qualquer tempo com meu Senhor. Lembro que no fim, estaremos juntos, danceremos face a face!

domingo, 18 de novembro de 2007

Mesmo em silêncio

"Eu acredito no sol, mesmo que ele não brilhe. Eu acredito no amor, mesmo que não o sinta. Eu acredito em Deus, mesmo que Ele esteja em silêncio."

Essa frase foi escrita por uma menina judia, que na segunda guerra, fugindo dos soldados de Hittler, escondeu-se em uma caverna.
A criança resolveu esconder-se lá dentro fugindo dos soldados nazistas.
uma bomba destruiu a saída da caverna, impossibilitando sua saída.
No escuro, com frio e fome... Quanto desespero essa pequena criança não passou, só, longe de todas as pessoas que lhe davam proteção, amor, conforto, segurança...
Apesar disso, ela pode escrever uma frase com tanta força, ela tinha a certeza de que Deus estava junto dela, segurando ela como um bebê, mesmo que Ele estivesse em silêncio.
Quantas vezes não nos sentimos assim, sós, na escuridão, sem amor e deixamos de acreditar nessas coisas, nas pessoas e na possibilidade de uma situação melhor.
Noss tornamos céticos e pensamos: "nada de bom há nessa vida...Não existe Deus...Não existe amor..."
Na realidade, quando passamos por situações difíceis, nas quais a escuridão se mostra inteira, densa, parece que da caverna não haverá saida, nem escapatória, não haverá suprimentos, mesmo que tudo isso seja real, é justamente aí onde Deus está, ao nosso lado, pois é na nossa fraqueza que a força de Deus se torna maior, porque só desse modo enxergamos que a força da vida, que a luz não é nossa mas é própria dEle. E então exatamente aí, ele nos segura em suas mãos e nos chama pelo nosso nome, fala conosco.
Pode ser que continuemos por mais um pouco de tempo dentro da caverna, pode ser que não o importante é acreditar em DEUS, que Ele faz todas as coisas para o nosso bem, "mesmo que Ele esteja em silêncio".



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Esta obra está licenciada sob uma
Licença Creative Commons.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Senhor Jeová, Tu o sabes. (Ez.37.3)

Aqui está uma resposta de fé. "Tu o sabes!" - que travesseiro para descansar a cabeça "Tu o sabes!" -Como são poucas, mas abrangentes, as palavras que resumem e expressam as dificuldades, perplexidades e provações do coração. "Tu o sabes!" - Que lugar doce e inexprimível descanso no meio da agitação tulmutuosa da vida; no meio de um mar que não conhece calmaria; no meio de uma cena em que a trama consiste em ser lançado de um lado para o outro! Que resposta contêm para cada coração que não consegue expressar suas grandes emoções; para um coração cujos pesares são tão profundos, que a linguagem não consegue encontrar o caminho para Deus!
Oh, que elas sempre predominem na alma, como resposta a cada dificuldade em nosso caminho!
Elas são as respostas de Deus para nossos corações descansarem e os lábios pronunciarem quando todos os caminhos estão bloqueados e não conseguimos passar. "Senhor Jeová, Tu o sabes!" Descansa aqui. Recosta a alma nessas palavras Repousa calmamente no seio de teu Deus e carrega-as contigo em cada cena da vida.
"Senhor Jeová, Tu o sabes!"

F. Whitfield

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

conseqüência da pornografia



Uma das consequências fundamentais da pornografia e da violência é o menosprezo aos demais, ao considerá-los como objetos em vez de pessoas.

A pornografia e a violência suprimem a ternura e a compaixão para deixar seu espaço à indiferença, quando não à brutalidade.

A pornografia é contra a mulher.

A clara degradação e humilhação das mulheres são os temas centrais de filmes porno, novelas e fotografias.

Na pornografia menos violenta o abuso é menos óbvio, mas ainda assim está presente, uma vez que as mulheres são tratadas como objetos sexuais, criaturas disponíveis para serem olhadas de revés, usadas e abusadas e depois substituídas por outras.


algumas Conseqüência da pornografia:


Abandono / Negligência / Violência Física contra Crianças e Adolescentes / Violência Doméstica / Violência Psicilógica / Exploração sexual comercial / Pornografia infantil / Pedofilia
Existe solução para isso!


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contato@sexxxchurch.com

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Surpreendidos por Deus

Durante a vida somos surpreendidos por Deus com situações inesperadas, ou circunstâncias contrárias à nossa vontade humana:
Para Abraão a surpresa de Deus veio quando mandou oferecer seu filho (Isaque) em holocausto; Jó foi surpreendido com a perda de filhos, bens materiais e a saude; José do Egito teve a sua surpresa ao perder a liberdade, quando vendido pelos irmãos como escrevo, e por ser fiel a Deus e fugir da esposa de Potifer.
Qual foi a surpresa inesperada na sua vida?
Saiba que a surpresa é o método preferido de Deus.
Quando surpreendidos somos tentados a erguer o punho diante de Deus e clamar:
"O que você está fazendo Deus?"
Deve ter sido assim na vida de Abraão, Jó, José e em alguns momneots da sua vida também.
Mas nós, como o barro, na mão do Oleiro, que "conhece todos os nossos caminhos" e "tudo faz como LHE agrada", evemos nos adaptar por meio da fé, "que tem como oposto o medo".
Certamente esses homens de Deus passaram por momentos de dor física, emocional e quem sabe espiritual, mas o mesmo Deus Soberano que permitiu o sofrimento concedeu o alívio necessário por meio da Sua maravilhosa Graça.
"Bem seu que TUDO podes e nenhum dos Teus planos é frustrado", "TODAS as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" e "duvido que Deus possa usar alguém grandemente sem que o fira com profundidade".
Você está disposto a ser surpreendido pelo mistério da vontade de Deus?
(Starch Souza)

Natal

O Célio do blog, Saindo da Zona de conforto, me convidou para um MEME diferente e cristão. Não tem nada haver com memórias e nem brincadeiras, mas é um assunto sério e gostoso de fazer, pois realizar coisas boas a outras pessoas faz bem à alma. Vou colocar aqui o texto que ele postou no blog dele pra vcs entenderem:

Que tal fazer algo diferente nesse Natal?Ir numa agência dos Correios e pegar uma dentre as milhões de cartinhas de crianças carentes e ser o Papai (ou Mamãe) Noel delas? Fui informado de que tem cada pedido inacreditável. Tem criança pedindo panetone, blusa de frio para a avó…. dentre outras coisas. É só pegar a carta e entregar o presente numa agencia dos correios até o dia 20 de Dezembro. O próprio Correios se encarrega de fazer a entrega.

Vamo lá então?? Mexendo as pernoquinhas da cadeira e indo até uma agência que eu sei que tem um monte por perto da sua casa!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

29 DE OUTUBRO DE 2007 - 17h54O
rolo do Rolex: Zeca Baleiro contesta 'texto fútil' de Huck
Em resposta a Luciano Huck, o cantor Zeca Baleiro pergunta na edição desta segunda-feira (29) da Folha de S.Paulo. "Por que um cidadão vem a público mostrar sua revolta com a situação do país, alardeando senso de justiça social, só quando é roubado?" E conclui, para elevar o debate: "o problema do mundo é mesmo um só - uma luta de classes cruel e sem fim". Leia seu artigo na íntegra.
O rolo do Rolex
Por Zeca Baleiro

No início do mês, o apresentador Luciano Huck escreveu um texto sobre o roubo de seu Rolex. O artigo gerou uma avalanche de cartas ao jornal (Folha de S.Paulo), entre as quais uma escrita por mim. Não me considero um polemista, pelo menos não no sentido espetaculoso da palavra. Temo, por ser público, parecer alguém em busca de autopromoção, algo que abomino. Por outro lado, não arredo pé de uma boa discussão, o que sempre me parece salutar. Por isso resolvi aceitar o convite a expor minha opinião, já distorcida desde então. Reconheço que minha carta, curta, grossa e escrita num instante emocionado, num impulso, não é um primor de clareza e sabia que corria o risco de interpretações toscas. Mas há momentos em que me parece necessário botar a boca no trombone, nem que seja para não poluir o fígado com rancores inúteis. Como uma provocação. Foi o que fiz. Foi o que fez Huck, revoltado ao ver lesado seu patrimônio, sentimento, aliás, legítimo. Eu também reclamaria caso roubassem algo comprado com o suor do rosto. Reclamaria na mesa de bar, em família, na roda de amigos. Nunca num jornal. Esse argumento, apesar de prosaico, é pra mim o xis da questão. Por que um cidadão vem a público mostrar sua revolta com a situação do país, alardeando senso de justiça social, só quando é roubado? Lançando mão de privilégio dado a personalidades, utiliza um espaço de debates políticos e adultos para reclamações pessoais (sim, não fez mais que isso), escorado em argumentos quase infantis, como "sou cidadão, pago meus impostos". Dias depois, Ferréz, um porta-voz da periferia, escreveu texto no mesmo espaço, "romanceando" o ocorrido. Foi acusado de glamourizar o roubo e de fazer apologia do crime. Antes que me acusem de ressentido ou revanchista, friso que lamento a violência sofrida por Huck. Não tenho nada pessoalmente contra ele, de quem não sei muito. Considero-o um bom profissional, alguém dotado de certa sensibilidade para lidar com o grande público, o que por si só me parece admirável. À distância, sei de sua rápida ascensão na TV. É, portanto, o que os mitificadores gostam de chamar de "vencedor". Alguém que conquista seu espaço à custa de trabalho me parece digno de admiração. E-mails de leitores que chegaram até mim (os mais brandos me chamavam de "marxista babaca" e "comunista de museu") revelam uma confusão terrível de conceitos (e preconceitos) e idéias mal formuladas (há raras exceções) e me fizeram reafirmar minha triste tese de botequim de que o pensamento do nosso tempo está embotado, e as pessoas, desarticuladas. Vi dois pobres estereótipos serem fortemente reiterados. Os que espinafraram Huck eram "comunistas", "petistas", "fascistas". Os que o apoiavam eram "burgueses", "elite", palavra que desafortunadamente usei em minha carta. Elite é palavra perigosa e, de tão levianamente usada, esquecemos seu real sentido. Recorro ao "Houaiss": "Elite - 1. o que há de mais valorizado e de melhor qualidade, especialmente em um grupo social [este sentido não se aplica à grande maioria dos ricos brasileiros]; 2. minoria que detém o prestígio e o domínio sobre o grupo social [este, sim]". A surpreendente repercussão do fato revela que a disparidade social é um calo no pé de nossa sociedade, para o qual não parece haver remédio -desfilaram intolerância e ódio à flor da pele, a destacar o espantoso texto de Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja, notório reduto da ultradireita caricata, mas nem por isso menos perigosa. Amparado em uma hipócrita "consciência democrática", propõe vetar o direito à expressão (represália a Ferréz), uma das maiores conquistas do nosso ralo processo democrático. Não cabendo em si, dispara esta pérola: "Sem ela [a propriedade privada], estaríamos de tacape na mão, puxando as moças pelos cabelos". Confesso que me peguei a imaginar esse sr. de tacape em mãos, lutando por seu lugar à sombra sem o escudo de uma revista fascistóide. Os idiotas devem ter direito à expressão, sim, sr. Reinaldo. Seu texto é prova disso. Igual direito de expressão foi dado a Huck e Ferréz. Do imbróglio, sobram-me duas parcas conclusões. A exclusão social não justifica a delinqüência ou o pendor ao crime, mas ninguém poderá negar que alguém sem direito à escola, que cresce num cenário de miséria e abandono, está mais vulnerável aos apelos da vida bandida. Por seu turno, pessoas públicas não são blindadas (seus carros podem ser) e estão sujeitas a roubos, violências ou à desaprovação de leitores, especialmente se cometem textos fúteis sobre questões tão críticas como essa ora em debate. Por fim, devo dizer que sempre pensei a existência como algo muito mais complexo do que um mero embate entre ricos e pobres, esquerda e direita, conservadores e progressistas, excluídos e privilegiados. O tosco debate em torno do desabafo nervoso de Huck pôs novas pulgas na minha orelha. Ao que parece, desde as priscas eras, o problema do mundo é mesmo um só - uma luta de classes cruel e sem fim.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

A Crise da Transmissão da Fé

por
Rev. Ricardo Barbosa de Souza



A transmissão da fé em nossa cultura secularizada requer de nós novos cuidados e preocupações que nossos pais não tiveram
Uma preocupação que vem crescendo e provocando muitas conversas tanto dentro da Igreja Católica como na Evangélica é o da transmissão da fé para as futuras gerações. Na Europa, alguns estudiosos já demonstraram isso em trabalhos como o do espanhol Juan Martin Velasco, que escreveu La transmissión de la fé en la sociedad e do bispo alemão J. J. Degenhardt, com seu livro Crisis of the transmission of the faith, em que ambos apontam um fenômeno, não só europeu, mas ocidental, envolvendo principalmente as igrejas cristãs.
Existem várias causas para isso, mas a secularização da sociedade ocidental é apontada por todos como a causa primeira desta crise. Olhando para o Brasil, vemos uma Igreja que ainda cresce numericamente, mas que tem perdido sua relevância cultural, social, política e econômica. E vem perdendo também suas raízes históricas e teológicas. Uma Igreja que oferece uma infinidade de programas, atividades e várias formas de entretenimento religioso, mas que tem perdido a capacidade de criar, principalmente nas novas gerações, um grau de compromisso e fidelidade para com a verdade bíblica. O que os membros fazem no domingo tem pouca ou nenhuma relação com o que fazem nos outros seis dias da semana. Nossas tradições foram descartadas, nossos valores relativizados e nossas convicções se transformaram em discretas e frágeis impressões religiosas. Vemos também, inclusive dentro da Igreja cristã, a intensificação do individualismo como resposta à secularização e o crescente movimento da moderna psicologia, que valoriza o "indivíduo autônomo" em sua busca pela auto-realização.
Diante de um cenário assim, ao olhar para o futuro do cristianismo, somos tomados por um sentimento de apreensão e perplexidade. Por um lado, sabemos que a Igreja é de Cristo e é ele quem a sustenta e guarda – no entanto, a história da Igreja é dinâmica e, em muitas nações e até continentes onde ela já foi viva e forte, hoje não é mais. Portanto, temos que refletir sobre nosso papel nesse processo e como será o processo de transmissão da fé para as novas gerações.
A transmissão da fé em nossa cultura secularizada requer de nós novos cuidados e preocupações que nossos pais não tiveram. No passado, com a centralidade da religião e da família na cultura ocidental, o processo era natural. Hoje, nenhuma das duas ocupam mais este lugar. Antigamente, os valores e convicções cristãs eram claramente definidos e aceitos socialmente. Eram eles que estabeleciam uma fronteira clara entre o que era certo e errado ou entre o que era pecado e o que não era. A identidade do cristão era socialmente bem definida, o que lhe dava também uma certa segurança e responsabilidade. Agora, não – falta essa identidade clara e os valores e convicções evaporaram. A grande pergunta que se coloca diante de nós é: como iremos transmitir para nossos filhos e netos os valores e princípios da fé cristã?
A nova preocupação com a "espiritualidade" pode ser uma resposta à crise da transmissão da fé. Muitos têm confundido espiritualidade com uma forma de intimismo religioso que surge como resposta ao individualismo secularizado, intensificando a alienação e não promovendo um relacionamento real e verdadeiro com o Deus triúno da graça. Para ser relevante, a espiritualidade precisa oferecer uma resposta à crise da transmissão da fé, fundamentando-se na revelação bíblica de Deus como uma Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).
Uma espiritualidade fundamentada na Trindade nos conduz a um relacionamento pessoal com Deus-Pai que não é fruto de uma compreensão particular e intimista, mas da revelação que Jesus, o Filho unigênito nos apresenta. Conhecer a Deus Pai não é o resultado das projeções das nossas melhores intenções paternas, mas o resultado exclusivo da relação única que o Filho eterno tem na comunhão com o Pai. Somente Cristo é quem nos revela a natureza paterna de Deus. Conhecer a Cristo é conhecer aquele que nos foi enviado pelo Pai e que realizou por nós, na cruz do Calvário, a gloriosa obra da reconciliação através da justificação e do perdão dos nossos pecados. Compreender o que Jesus fez na cruz e responder ao Pai em comunhão, obediência e adoração só nos é possível pelo poder do Espírito Santo, que abre nossos olhos, levando-nos a compreender nosso pecado e a necessidade de redenção. E que também nos abre para Deus por meio de Cristo e para a comunhão com os santos.
O caminho para enfrentar a crise da transmissão da fé passa por uma espiritualidade centrada na Trindade e nas Sagradas Escrituras. Somente a partir de um relacionamento pessoal com o Deus trino da graça é que poderemos recuperar o valor daquilo que é verdadeiro e resistir à subjetividade da cultura secular. Compreender a realidade a partir da revelação de Deus em Cristo, e não através da psicologia e sociologia modernas, nos libertará da percepção reducionista da cultura secular e nos conduzirá a uma compreensão profunda e realista da natureza humana, da nossa condição social, dos propósitos da criação e da comunhão com o Senhor e com o próximo.
Olhar para a realidade a partir da auto-revelação de Deus em Cristo nos conduzirá a uma nova dinâmica de vida e fé onde todos os eventos, encontros, experiências, desejos, ações e paixões serão holisticamente absorvidos em Cristo. É isso que nos tornará mais verdadeiros e nos conduzirá à vida abundante prometida pelo Senhor. O legado que precisamos deixar para as novas gerações envolve um caminho de fé que nos conduza a uma completa rendição e entrega, da mesma forma como o Filho de Deus se entregou por nós em amor e obediência ao Pai. Somente através de uma conversão real e dinâmica é que as novas gerações irão reconhecer o valor pessoal, histórico e social da fé cristã e responderão a ela numa vida de obediência, amor, comunhão e serviço.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Um mundo feito de aço

Vendo algumas fotografias e frases que seguiam junto delas,li uma algo muito interessante:
"Para mim as metalúrgicas são deuses poderosos, que comandam a sinistra produção de metal que domina o mundo. Nelas, tudo é violento, desproporcional, trágico. O metalúrgico sabe que trabalha na fronteira da morte, entre rios de metal escaldante e frente às caldeiras do inferno. Ele entende que o mundo é controlado pelo aço."
Sebastião Salgado
Acredito que, como o autor da frase, aprendi a ver o mundo fromando-se assim, através de muros feitos de aço e concreto.E esses muros se arraigaram no coração do homem.
Se o amor de muitos esfriaria, essa é a geração em que isso ocorre com maior plenitude, sente-se isso, respira-se isso, nos jornais, ruas, nas casas.
Metais... interessante o valor que atribuimos a eles...
No livro "A Utopia"(literalmente o não-lugar de nenhum lugar), o humanista e jurista inglês Tomás Morus (1478-1535), descreve o valor dos metais preciosos. Na sociedade prejetada em seu livro o ouro serve para construir as coisas mais vis existentes, as pedras preciosas enfeitam as crianças, que logo querem entregá-las a outras crianças por terem se tornado adultos.A Bíblia mostra o céu com ruas de ouro e o mar feito todinho de cristal.Lá não importa o quanto você tem e sim quem você foi e em que creu.
Metais, um mundo feito de metais que sustentam a ganância, a maldade, por eles o mundo gira e o mundo de alguns para de girar por causa deles.
Dinheiro... papel que compra metal, que tem sustentado um fé morta, desertora e falsa. Uma fé que busca bens, que de nada valem quando se observa da perspectiva do amor.Uma fé que olha para o Salvador como um banqueiro e que se vê como "filho do rei" quando é a vida aborratada de "bençãos" está em jogo, e que esquece que o primogênito entre todos, o Cristo, se fez o mais sofredor e pobre entre todos os homens, homem de dores que soube sim o que era padecer.Que fé é essa que enche templos, que ridiculariza o cristianismo da cruz, do abrir mão,do dar em lugar de receber, do estender a mão, do servir, do amar? Fé que não sabe amar, apenas visa lucros.
Abro mão dessa fé que usa os outros para seus próprios interesses, tentam barganhar com Deus, usando as próprias escrituras para isso (embora isso não seja novidade porque Jesus Cristo foi tentado no deserto da mesma forma). Conhecem a verdade e distorcem ela. Creio que a estes restará a frase - "Não sei donde vós sois; apartai-vos de mim".
Abro mão dessa fé mediocre que encobre quem Deus de fato é, e o que Ele fez por nós.
Em nome da minha FÉ digo:
Deus é amor.
Veio nos salvar.
Salvação, preço pago sem nenhum metal, mas com um liquido precioso - SANGUE.
Preço que eu nunca poderia pagar, nem sei o quanto vale... ou sei , para mim vale a minha vida e a de muitos outros a quem eu possa mostrar o que realmente importa, algo de importante pelo que se possa viver e também morrer - Deus.
E o legado mais precioso que ele deixou conosco -IR, falar dEle. Só.
Talvez assim eu e muitos outros que pensam como eu, possam esquentar um pouco o amor dessa geração.
Fazer com que corações de aço se transformem em corações vivos, cheios de FÉ, esperança e novamente amor, sendo o maior destes o AMOR.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Deus que responde, Deus de milagres


Vou contar duas histórias e depois podemos refletir sobre elas.
A primeira história é tão sem solução, para nós, quanto a segunda e se olharmos para elas sem o final, podemos perceber que nada, absolutamente nada, está em nossas mãos.
Como é difícil não ter o controle e percebermos que o que temos, é o nada ao nosso alcance.
Vou falar de um homem conhecido por sua paciência. Esse homem sofreu a perda de tudo que tinha, mas além de perder o material, ele perdeu o melhor de todos os presentes que se pode querer: a saúde. O que somos se não temos esse bem maior sob nosso controle?
"A identificação de doenças com nomes antigos não é fácil tarefa, mas a opinião médica dos nossos dias sugere que a doença deste homem fosse um caso de Furunculose Estafilocócica Generalizada, outros falam em Elefantíase e ainda em lepra. O Prof. Flamínio Fávero, Catedrático de medicina legal na faculdade de medicina de São Paulo , ligada ao hospital das clínicas, conclui que a doença deste homem era o Pênfigo Foliáceo, ou Fogo Selvagem."
Seja qual for a doença que este homem tinha, o fazia sofrer muito ,dores terríveis! Mas o que nos faz pasmos é perceber que a maior tristeza dele era pensar estar longe do Criador e não apenas o fato de estar doente. O que faz esse homem tremendamente, maravilhosamente conhecido por tanto tempo: sua fé. Fé em seu Redentor ele sabia que estava vivo e que por fim se levantaria e olharia para sua situação, transformando tudo em muito melhor! Ele sabia que o seu Senhor, era o Deus que responde! O que este homem fez? Falou! O que o seu Deus fez? Respondeu! O nome deste homem? Jó.A outra história é a de uma mulher, esta sem nome e sem rosto, mais uma em meio a multidão de doentes e pedintes que rodeavam um certo Homem que passou por aqui há alguns muitos anos atrás. Mulher pobre e sem rosto, quem era ela numa multidão? Ela sofria de uma hemorragia havia doze anos, gastou tudo o que tinha com médicos, ninguém conseguiu fazer nada (e novamente o nada nos olha com sua frieza e incredulidade). Porém, esta mulher viu o Homem, Aquele que não tinha formosura aparente, mas que era o que É e o que há de vir, Primeiro e Único, Princípio e Fim, Princípe da paz. Ela apenas tocou a orla de sua veste, por trás da tão temida multidão que o apertava. Aconteceu o inesperado:
- Quem me tocou?
- Uma multidão te tocou! - Responderam os discipulos
- Alguém me tocou com fé, porque de mim saiu poder!
A mulher, sabendo que não podia esconder-se daquele que tem TUDO em suas mãos, se prostrou e confessou que o tocando foi imediatamente curada. Porque? Porque ela creu no Deus de Milagres!Entender que somos nada e que o nada é só o que temos em nossas mãos, é difícil, somos prepotentes e orgulhosos. Ter certeza que Jesus Cristo é este Deus que é TUDO e que Ele é o único que tem TUDO em suas mãos, também é, porque temos que abrir mão de nós mesmos e entregar o fardo.Entender que há alguém olhando por nós e que cuida de nós, em detrimento do que nossos olhos estejam vendo haja o que houver, Ele é quem domina.
Diante disto, nós temos duas opções: Crer que Ele É e entender que esta verdade é a única que existe, ou negar esta verdade e não ter em quem confiar, não ter esperança, não ter fé.
Talvez os nossos problemas muitas vezes pareçem engolir a nossa alma, desdenhar da nossa esperança, brincar com a nossa fé, mas a partir do momento que nos entregamos a esse Deus que emana poder e graça podemos perceber que nada é em vão, que em tudo que há propósitos e que Suas promessas em nossas vidas são de paz. Basta tão somente entrgar e o trabalho cabe a esse Pai de amor. Um Deus que responde, um Deus de milagres, seja qual for a circunstância.Ele sabe o porquê e o domínio está em suas mãos pelos séculos dos séculos. Se cremos que Ele tem tudo e é tudo e nós nada, só aí então, podemos ter Tudo que vem dEle e sermos mais do que podemos imaginar.Tenha fé!
(O Trecho entre aspas foi retirado do livro Consolo, de Eleny Cavalcanti)
Amanda Oliveira (filha da Luz)

domingo, 2 de setembro de 2007

A história de Dayse

Era um travesti alto, magro e desengonçado, e tinha uns implantes. Não sei como começou na homossexualidade, mas disse que tinha sede de Deus desde antes.
Quando criança, num passeio a uma Igreja Católica com sua mãe, viu um caixão de vidro com uma estátua de Jesus dentro. “Igreja do Jesus morto”; a mãe era devota. Quando chegaram perto, ele, pirralho, sentiu que Jesus lhe olhava.
– Mãe, Jesus está vivo!– Pare de dizer besteira, menino...
– ela não viu, mas ele sabia que Jesus não estava morto. Adulto, Daisy foi se desiludindo consigo mesmo numa sede que não terminava por outro tipo de vida, apesar de ter tudo o que um travesti poderia desejar, como um parceiro e um filho adotivo. Ligava o rádio na sintonia dos pentecostais. Ouvia músicas e pregações o dia inteiro. Não se cansava nem da repetição nem dos chavões. Ouvia até a hora de sair para ganhar a vida na rua. Tornou-se um hábito ouvir o evangelho. O parceiro e os vizinhos se irritavam.
Daisy ficava mais amuado, mais convicto. Começou a ler a Bíblia.Uma noite não agüentou mais. Percebeu que não tinha coração para levar a vida assim. Decidiu que aquela seria a sua última noite na rua. Ouviu rádio e pegou a Bíblia. Abriu no primeiro capítulo de Apocalipse, que fala sobre a revelação de Jesus, em suas vestes de luz e língua como espada de fogo. Lindo! Assim seria sua fantasia, a última da vida de rua.– Vou de “drag-jisas”.Enfeitou-se todo de branco e dourado, reverente. Não era uma drag qualquer, era o próprio Jesus de uma maneira simbólica dizendo-lhe que chegara sua hora de mudar. Não conseguiu fazer a vida naquela noite; pregava sem parar, como os pregadores do rádio que ouvia há tanto tempo. Pregava para as prostitutas, para os clientes, para os passantes. O ponto se esvaziou, os habituais corriam para não ouvi-lo. Finalmente, no romper da manhã, tendo arruinado a noite de todos os freqüentadores do ponto, sentou-se feliz, cantando uma daquelas músicas do tipo “sai demônios e vem Jesus”.Logo depois Daisy adoeceu e descobriu-se portador do vírus HIV. Estranhamente não teve medo. Sua irmã conhecia algumas pessoas em Belo Horizonte e resolveu dar uma passada por lá para ver se encontrava ajuda para ele. A vida tem seus caminhos; ao receber a medicação, Daisy encontrou também algumas pessoas do grupo VHIVER, que ajuda portadores do vírus da aids a viver com qualidade. De lá esbarrou nos crentes da Caverna de Adulão e conheceu o Jesus que amava. Converteu-se, “destravecou-se”, “homenzou-se” do melhor jeito que pôde. O parceiro ficara no Rio de Janeiro com o filhinho adotivo. Teve de dizer-lhe que era homem agora e que cuidaria do filho, mas já não seria “casado”. Sentiu-se puro como um bebê. Dizia que já tinha feito sexo demais a vida toda e agora não precisava mais; iria viver para Deus de todo o seu coração...Mas não podia ficar em Belo Horizonte, tinha de voltar ao Rio. O Geraldo, da Caverna, se preocupou: “E agora, o que vai ser de Daisy? Quem vai entendê-lo para integrá-lo?”A essa altura Daisy já se chamava como homem, mas os trejeitos de uma vida no submundo não saem fácil. As marcas (as mãos na cintura, o andar reboloso e a voz fina que ainda desafina) ficam.Daisy voltou para o subúrbio do Rio. Despachou o parceiro, pegou suas coisas e mudou-se. Mas aí veio a parte dura: conseguir um emprego, se sustentar de maneira digna e encontrar uma igreja onde fosse aceito. Nos primeiros meses quase não tinha dinheiro; a única congregação do bairro era o lugar mais perto. As emoções de Daisy ainda eram as emoções de uma caricatura de mulher. Ia à igreja esperando amor como o que encontrara em Belo Horizonte. No começo encontrava o porteiro:– “Tem culto hoje não, desculpe.” – “Ah...” – o ar decepcionado de Daisy não mudava em nada a cara do porteiro. Infelizmente a igreja não conseguiu entender o rapaz. Daisy tentou mais uma e mais outra. Mas o que aconteceria se no bairro vissem aquele homem ainda com peitos freqüentando os cultos? Terminou por entender que não era bem-vindo – mais uma ferida para carregar para quem já sofreu tantas.Sem ajuda na fé e sem apoio econômico e social para recomeçar, a fé de Daisy se apagou. Geraldo o viu um dia desses nas páginas de uma revista, militando pela causa homossexual, e respirou aliviado, pensando: “Pelo menos ele ainda está vivo...”Daisy, se você está lendo isto, tente outra vez. Vamos aprender a caminhar com você pelo caminho da restauração. Vamos aprender a fazer da sua vergonha a nossa vergonha e, pelo nosso amor, fortalecer a sua fé naquele que nos transforma.

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Bráulia Ribeiro é missionária em Porto Velho, RO, e presidente da JOCUM – Jovens com Uma Missão. braulia_ribeiro@yahoo.com

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Missões

Milena (Zeninha) - Missões na África


Reunião de oração por missões...
Chegando lá, sentei, vi as fotos de missionários em lugares distantes e missinários urbanos.
Vi pessoas atingidas pela verdade de Cristo, lutando pela verdade de Cristo.
Quando fomos orar alguns pedidos de oração foram feitos:
pela política do nosso país, pela diferença social, pela violência, pela prostituição, pelas drogas, pelas ONG's e o que me chamou mais atenção, pela unidade das igrejas na cidade, no país.
Comecei a orar, mas a única coisa que conseguia falar em minha oração era:

- SENHOR, ME LIVRA DA HIPOCRISIA QUE HÁ EM MIM.

A hipocrisia de achar que é apenas culpa e obrigação dos políticos de fazerem alguma coisa pelo "povo", quando na realidade o povo sou eu e eu tenho que fazer algo por mim mesma e pelos outros, se não fosse assim Jesus não teria dito para ama ao meu próximo como a mim mesmo.
A hipocrisia quando vejo pessoas na miséria e não levanto minha voz e minhas mãos em auxílio. A hipocrisia vendo a prostituição e achar que um dia "alguém" vai ter que chegar perto daquelas pessoas, quando esse alguém sou eu mesma.
A hipocrisia observando drogados entrando por um caminho na maior parte das vezes sem retorno e pensar que aquilo me deprime muito para que eu me envolva, mas não revelar a ninguém o meu sentimento e continuar levantando meu "clamor" apenas.
A dor em ver ONG's fazendo aquilo que nós, como cristãos, deveriamos fazer!
E a pior de todas, a hipocrisia de achar que não somos um só corpo.
De não ver o quanto sou egoísta.

Achar que orar apenas vai resolver todos os problemas de uma nação... poderia sim! Deus é soberano, pode todas as coisas, mas creio que Ele quer nos dar a oportunidade de sermos humanos, de sentirmos, de nos apegarmos ao outro de tal forma que a dor do outro seja a nossa e então quando a alegria do outro vier será a nossa também!
Orar para que Deus chame trabalhadores para a obra é lindo, mas lembrar que Ele chamou a todos para fazermos todo esse trabalho aqui na terra é mais bonito ainda - IR, IR, IR!
Deus deu a nós e não aos anjos o poder de falar das boas novas, porque nós sabemosa dor que os seres humanos sentem.
Falar da graça salvadora que nos sustenta e que nos livrou de uma miséria espiritual, de uma droga de vida, de uma vida alienada e anestesíada pelo egoísmo, prostituída pela ganância, arruinada pelo medo, podre. Muito pior do que aquilo que os olhos conseguem ver em uma prostituta, em um drogado, em um marginal, é um coração falido e uma alma enjaulada e foi disso que Cristo um dia me livrou, salvou.
Tenho um amigo, ele está longe daqui, falo muito com ele sobre missões e muito tenho aprendido sobre doar mais que receber, porque quando se doa assim, de maneira desinteressada, apenas desejando que Deus cresça mais e mais, se recebe muito mais. Abrir mão de mim mesma.
Aprendido também que confiar em Deus e acreditar que Ele proverá realmente é o mais fácil, o mais difícil é meu coração se abrir para essa verdade. E o mais lindo a se fazer, descançar nos braços do Senhor, não sei porque é tão difícil aceitar essa verdade, para um Deus que deu criou o mundo em 6 dias e deu seu único Filho por nos amar, cuidar de nós é apenas um bônus!
Tenho aprendido também que o tempo é dEle, cabe a nós apenas usarmos da melhor forma esse tempo aqui na terra.
Acho que, mesmo longe de tudo aqui, mesmo com saudades grandes, com sonhos maiores que as saudades, ele recebe muito mais que alguém que está apenas de braços cruzados no banco da igreja orando por avivamento ou orando para Deus mandar trabalhadores, recebe algo que o dinheiro não pode comprar e ninguém pode roubar. Recebe as mãos do Senhor ensinando e transformando o interior de tal forma que ele pode sonhar os sonhos de Deus livremente e ter a certeza que Ele está providênciando o mais, como um Pai que cuida de seus filhos.
Recebe a alegria de construir o reino de Deus aqui na terra.
Aprendi a me livrar desse medo e hipocrisia e dizer apenas: Eis-me aqui.
Espero que você entenda que já passa da hora de ir também!

Eu também Cansei - por Guilherme Arruda Aranha

A campanha "cansei", promovida pela OAB/SP e por setor do alto empresariado nacional, auto-intitulada "movimento cívico pelo direito dos brasileiros", convoca os cansados em geral a fazer um minuto de silêncio às 13h00 de hoje "pelo bem do Brasil".
Não contem comigo: não vou fazer um minuto de silêncio nem vou bater panelas, pois cansei mesmo foi das campanhas "da paz", campanhas "contra o governo" e, sobretudo das campanhas do tipo "cansei".
Cansei também dos berros da classe média, oprimida entre os ricos e o crime organizado, se achando o umbigo do universo. Cansei da classe média incapaz de se ver refletida no espelho que é a política, sem a dignidade de assumir que a corrupção que tanto nos critica "outros" é, em sua origem, a mesmíssima daquele que desembolsa cinqüenta reais para não ser multado, que atravessa o sinal vermelho porque não tem guarda olhando e que faz ultrapassagem pelo acostamento na volta do feriadão.
Cansei da classe média que só enxerga a corrupção dos políticos, mas é cega e complacente com empresários corruptores e sonegadores de impostos. Cansei da classe média que não se dá conta que a moral só existe na primeira pessoa e que o resto é moralismo (para quem negocia com o dinheiro público, seja político ou empresário, desejo apenas a aplicação da lei).
Cansei da classe média pedindo o retorno de governo autoritário, de direita ou de esquerda, pouco me importa, para "moralizar essa bagunça". Era só o que faltava. Cansei da classe média disparando e-mails ideológicos e confundindo isso com consciência política.
Cansei da classe média com acesso a ensino de qualidade mas que só lê, quando lê, o mesmo jornal, a mesma revista de sempre e nunca leu Maquiavel, Hobbes, Locke, Rousseau, Marx, Proudhon ou Weber. Não precisava sequer ler na fonte, bastava pegar um livro introdutório para entender algumas das divergências entre tantos autores geniais, atentos às riquezas e misérias da formação daquilo que chamamos hoje de Estado moderno, situando-se um pouco melhor no mundo em que vivemos.
Cansei de uma classe média que odeia a política pelo erro primário e cristão de confundir seres humanos com anjos, o que é uma receita para a decepção, pois é óbvio que homens não são anjos e, portanto, precisamos de política, este mal necessário.
Cansei do mesmo bom-mocismo que divide o mundo de forma maniqueísta: o "Bem" está com a classe média, o "Mal" está com os políticos, aqueles estranhos seres corruptos que vieram de outro planeta e precisam ser exterminados.
Cansei também de achar que o Brasil é uma porcaria maior do que outros países (não é mais nem menos porcaria que EUA, Cuba, França, Canadá, Japão, Austrália, Espanha, Itália ou Suíça). O Brasil tem suas contradições (como qualquer país) e uma delas é ser uma força econômica com péssima distribuição de renda. Aqui a noção de poder legal (Weber) ainda é subversiva e o capitalismo é selvagem. E uma hora os pobres virão mesmo cobrar o que é deles. Agora agüenta, classe média: a incompetência também é nossa e não só dos políticos. Agora agüenta, elite blindada e herdeira de nossa tradição autoritária: a má distribuição de renda é um problema coletivo; a indústria dos carros blindados e dos condomínios murados, uma solução individual (e individualista).
Mas essa equação não fecha: não há soluções individuais para problemas coletivos. Em suma: como advogado paulista não me sinto "representado" aqui pela OAB/SP (não foi com o meu aval que esta entidade uniu-se à "indignação" de um empresário como João Dória Junior, a quem apraz promover desfile de cachorros de madame em Campos de Jordão).
Como cidadão, não vejo nada de "cívico" nesse movimento, orquestrado sabe-se lá com qual verdadeira finalidade. E se uma dessas finalidades for um movimento "fora Lula", sou contra, assim como era contra o "fora FHC", não por simpatia política, mas por convicção democrática. Antes que me perguntem qual é, afinal, a solução para todos os problemas de nosso país, respondo o óbvio: não sei. Sei apenas que não existe mágica.
Fiquemos, pois, com a política e façamos dela a nossa responsabilidade (e não apenas a responsabilidade dos "outros", os políticos), conscientes de que no meio do caminho há pedras. Sempre haverá pedras no meio do caminho.
Hoje, portanto, não bato panelas nem faço um minuto de silêncio. Há exatos 20 anos, aliás, morria Drummond. Às 13h00 de hoje, em homenagem ao poeta, chutarei uma pedra na rua. Ao anoitecer, porém, saberei que "é a hora dos corvos, bicando em mim meu passado, meu futuro, meu degredo: desta hora, sim, tenho medo".
Guilherme Arruda Aranha, 35, advogado, mestre em Filosofia do Direito e do Estado pela PUC/SP e professor de Filosofia do Direito (PUC/SP e UNIFIEO), além de pertencer à classe média.