sábado, 22 de dezembro de 2007

O mundo para todos

(Cristovão Buarque)



Durante debate recente, nos Estados Unidos, fui questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. O jovem introduziu sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro.
Foi a primeira vez que um debatedor determinou a ótica humanista como o ponto de partida para uma resposta minha. De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Respondi que, como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, podia imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a Humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ótica humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Os ricos do mundo, no direito de queimar esse imenso patrimônio da Humanidade. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.
Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo . O Louvre não deve pertencer apenas á França. Cada museu do mundo e quardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de, a um proprietário ou de um pais. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele um quadro e de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido rnacionalizado.
Durante o encontro em que recebi a pergunta, as Nações Unidas reuniam o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos o EUA. Por isso, eu disse que Nova York, como sede das Nações Unidas, deveria ser internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a Humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.
Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.
Nos seus debates, os atuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o pais onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar; que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa.

sábado, 15 de dezembro de 2007

O Deus dilacerado

O Cristianismo é a única religião do mundo que tem a sua base de fé numa tragédia. A morte de Buda não é importante para a filosofia budista. Como Maomé morreu também não é importante para um muçulmano. Nenhum chinês está interessado se Confúcio foi ou não torturado até a morte. Mas será que um cristão poderia dizer que a morte de Jesus não é importante? O Cristianismo, na verdade, nos brinda com um desconfortável e pesado paradoxo: um homem que nasce do espírito e morre fisicamente dilacerado. Por que isso? Não poderia ter sido outra a história? Esse choque é também uma dificuldade encontrada pelos missionários para evangelizar pessoas de outras culturas.

Phillip Yancey conta que certa vez, na China, missionários tiveram uma inesperada reação dos habitantes locais quando eles, após ouvirem a história de Jesus, rejeitaram a sua parte final, por ser feia e triste, e se encantaram com a parte inicial, que fala de uma virgem que deu luz a uma criança.

Não seria melhor, então, omitirmos o final da história? Se pensarmos bem, não. A história não poderia ter sido outra. Se fosse de outra forma, não seria perfeita, não seria para nós. O que, neste mundo, é tipicamente humano? O que você responderia se alguém lhe fizesse essa pergunta? Vaidade? Ganância? Lúcifer não é humano e foi vaidoso e ganancioso. Só há uma resposta: a morte. E, relacionado a ela, a dor física. Se Deus tivesse se transformado em homem e tivesse voltado aos céus antes de morrer, não teria sido um homem. Para realizar o seu maior milagre – transformar-se em carne, em um ser limitado e temporal, ser igual a nós –, a obra tinha que ser completa: Ele teria que passar pela morte! E fez muito mais: antes de morrer, enfrentou o medo e uma das piores seqüências de dor física que se possa imaginar. Deus sofreu!

Às vezes nós estamos tão viciados em nossas rotinas, em nossos problemas do dia-a-dia, nos achando tão sofredores, que nunca paramos para pensar que Deus, Aquele para quem dirigimos nossas petições diárias, sofreu muito mais do que tudo pelo que passamos todos os dias... tudo somado! Será que quando Isaías escreveu "as nossas dores levou sobre si" (Is 53:4), ele estava se utilizando de um recurso poético, metafórico, para causar impacto?

O dr. Alexander Metherell, conhecido médico dos EUA, reconhecido como diagnosticador pelo Conselho Americano de Radiologia e consultor do Instituto Nacional do Coração, do Pulmão e do Sangue e dos Institutos de Saúde de Bethesda, em Maryland, fez um minucioso e científico relato do que Jesus passou até morrer na cruz.

Tudo começou logo após a última ceia, no jardim de Getsêmani. Lucas, também um médico, relata que Jesus suou sangue (Lc 22:44). Essa é uma condição médica conhecida, chamada hematidrose, e está ligada ao alto grau de estresse psicológico. A angústia e a ansiedade extremas ocasionam a liberação de produtos químicos que rompem os vasos capilares nas glândulas sudoríparas, o que faz o suor brotar misturado com sangue. Um dos efeitos disso é que a pele fica muito frágil. Isso significa que Jesus se apresentou para o açoitamento romano, que aconteceria dali a algumas horas, com a pele bastante sensível.

Jesus, após ser inquirido por Pôncio Pilatos, foi açoitado ao estilo romano, e não ao judeu. Este último era de 40 golpes menos um. Mas o romano (more romanorum) não tinha limite. Simplesmente era suspenso quando assim achava conveniente o executor sententiae. Usava-se um chicote de tiras de couro traçadas, com bolinhas de metal amarradas. Presos ao açoite havia ainda pedaços afiados de ossos, que cortavam a carne profundamente. As costas das vítimas ficavam tão maltratadas que às vezes os cortes profundos chegavam a deixar a espinha exposta. As chicotadas cobriam toda a extensão do dorso, desde a nuca até o traseiro e as pernas.

Metherell conta que um médico que estudou os castigos infligidos pelos romanos certa vez disse que à medida que o açoitamento continuava, as lacerações atingiam os músculos inferiores que seguram o esqueleto, deixando penduradas tiras de carne ensangüentadas. Eusébio, historiador do século III, deu o seguinte relato: "As veias do sofredor ficavam abertas, e os músculos, tendões e órgãos internos ficavam expostos". Muitas pessoas morriam desse tipo de suplício antes mesmo de chegarem a ser crucificadas. Segundo Metherell, a vítima entrava em choque hipovolêmico; ou seja, sofria os efeitos da perda de grande quantidade de sangue. O coração se esforça para bombear mais sangue, a pressão sangüínea cai, causando desmaio ou colapso, os rins param de produzir urina e a pessoa fica com muita sede. Por isso Jesus diria mais tarde "Tenho sede" ao estar na cruz (Jo 19:28).

Jesus estava em choque hipovolêmico quando se arrastou pela rua em direção ao Calvário, carregando a viga horizontal da cruz (chamada de patibulum), que devia pesar em torno de 60 quilos (ao contrário do que muitos pensam, não se carregava a cruz inteira, apenas a sua parte horizontal; a outra parte já se encontrava erguida no local da execução). Colocada sobre a nuca e ombros, a cada passo e espasmo os espinhos afiados deviam ser pressionados pela madeira, cravando-se cada vez mais profundamente no couro cabeludo. Jesus então acabou caindo, devido aos efeitos do citado choque hipovolêmico, e o soldado romano, vendo seu estado, teve que ordenar a um espectador, Simão, que carregasse a cruz (Jo 19:17 e Lc 23:26).

Ao contrário do que muitos imaginam, Jesus foi crucificado pelos pulsos, e não pelas palmas das mãos. Se os pregos furassem apenas a palma da mão, o peso do corpo a rasgaria e a vítima cairia da cruz. Na linguagem da época, os pulsos eram considerados parte das mãos, por isso que Jesus, após a ressurreição, usou o termo "mãos" quando falou ao cético Tomé (Jo 20:27). Os pregos, bem afiados e de aproximadamente 15 centímetros, atravessavam o lugar do braço por onde passa o nervo central. Esse é o maior nervo que vai até a mão, e era esmagado pelo prego. A dor, relata Metherell, é simplesmente insuportável. Na verdade, está além da descrição por palavras, tanto que foi necessário se inventar uma nova palavra: dor "excruciante". Essa palavra significa literalmente "da cruz". Foi necessário criar uma palavra para descrever o que Jesus sentiu! E Jesus passou por essa dor quatro vezes: duas vezes nas mãos e duas vezes nos pés.

Mas antes de se perfurar os pés, o patibulum é içado, juntamente com a pessoa pregada, até ser encaixado na vergôntea da viga vertical. Essa operação provoca a queda do peso do crucificado até este ser freado pelos pregos que atravessam os pulsos. A dor, segundo os médicos, deve ter sido igualmente insuportável. Uma vez o corpo pregado na cruz, os braços ficam imediatamente esticados; os ombros saem do lugar e as juntas se distendem 15 centímetros. Por isso Salmos 22:14 diz: "Todos os meus ossos estão desconjuntados".

A crucificação é, em essência, uma lenta agonia até a morte por asfixia. A razão disso é que a tensão dos músculos e do diafragma deixa o peito na posição de inalar. Para exalar, a pessoa tem de firmar-se sobre os pés, para aliviar por um pouco a tensão dos músculos. Ao fazer isso, o prego rasga o pé, até se prender contra os ossos do tarso. Depois de conseguir exalar, a pessoa pode relaxar e inalar novamente. Mas logo em seguida é preciso empurrar-se novamente para cima, para exalar, esfregando suas costas esfoladas contra a madeira áspera da cruz. Isso se repete até a exaustão total, e a pessoa não consegue mais se erguer para respirar.

Ao diminuir a respiração, a vítima entra no que é chamado de acidose respiratória: o dióxido de carbono no sangue é dissolvido em ácido carbônico, fazendo a acidez do sangue aumentar. Isso faz o coração bater de modo irregular. Quando isso começou a acontecer, Jesus percebeu que estava chegando a hora da morte, e então disse: "Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito" (Lc 23:46). Depois morreu de ataque cardíaco, com um grande grito (Mc 15:37).

Um soldado romano então enfia uma lança no corpo de Jesus para se certificar de que ele estava realmente morto. João relata que saiu sangue e água (Jo 19:34). Isso se deve ao choque hipovolêmico, que deve ter feito o coração bater rapidamente por algum tempo, o que teria contribuído para fazê-lo falhar, resultando no acúmulo de líquido na membrana em torno do coração, chamado efusão pericardial, bem como em torno dos pulmões, chamado efusão pleural. A lança provavelmente atravessou o pulmão e o coração de Jesus e, quando foi tirada, fez sair esse líquido.

Nenhuma pintura clássica jamais pintou o verdadeiro Jesus crucificado. Talvez se fosse possível mostrar uma foto de como Jesus provavelmente estava na cruz, muitas pessoas poderiam dizer: "Não, esse não é o meu Jesus!"; "Não, Jesus era Deus... Deus não é assim". Mas o fato é que, sim, era Deus... cortado, inchado, perfurado, deformado, dilacerado. Deus tornou-se homem e, como um homem, nos salvou.

Mas, felizmente, a história não termina na sua morte. Dois dias seguintes a toda essa dor há um túmulo vazio. Muitas pessoas céticas questionam se realmente ele ressuscitou, se não foi uma história inventada posteriormente. Bem, para responder a esse questionamento, basta relatar o seguinte: Tiago, irmão de Jesus, foi apedrejado até a morte; Paulo, o missionário, foi decapitado em Roma; Pedro, apóstolo, foi crucificado de cabeça para baixo por Nero; os apóstolos André, Tiago (Alfeu) e Simão (o zelote) foram também crucificados; Bartolomeu foi golpeado até a morte e o outro Tiago (Zebedeu) morreu ao fio da espada a mando de Herodes; Felipe, Mateus, Tadeu, Tomé e Matias foram igualmente martirizados.

Resumindo, todos os apóstolos, menos um, foram executados. Por que tiveram esse fim trágico se no dia em que Jesus foi preso todos fugiram e/ou o negaram (à exceção de João, o único que não foi assassinado)? O que faria o irmão de Jesus, que antes não acreditava nele, morrer por ele? O que faria um fariseu caçador de cristãos, como Saulo, se converter e morrer por ele? O que faria os apóstolos enfrentarem um Império e se entregarem à morte por uma mensagem? Acho que ninguém, em sua sã consciência, faria isso por uma mentira. Só há uma resposta possível: Jesus apareceu para eles depois da morte.

A origem do Cristianismo é uma história triste, trágica, horrenda. E tudo começou porque Deus voluntariamente se submeteu a uma forma humilhante e excruciante de tortura. E o que é mais importante: experimentou a morte. Por que fez isso? Só há uma resposta possível: por amor.

Se algum dia você se sentir angustiado, preste atenção se você chega a suar sangue. Se a vida machuca, veja se ela o deixa com tiras de peles penduradas, partes internas de seu corpo expostas e um rio de sangue aos seus pés. Se o caminho à sua frente é tortuoso, tente andar com seus músculos cortados e quase despedaçados, com um peso que empurra espinhos para dentro de seu crânio e abre mais ainda feridas profundas nas suas costas. Se você acha que não há mais saída para seus problemas, imagine simplesmente esperar a morte inexorável e lenta por asfixia dentro de um corpo todo desconjuntado e perfurado.

Um dia fiz uma oração equivocada a Deus, e Ele me respondeu: "Respeite a dor que eu senti". Desse dia em diante, quando elevo meu ser em oração, passou a ter muito mais sentido para mim dizer apenas "Eu te amo" ou, simplesmente, "Obrigado".


Tiago Ivo Odon

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Deus entre os “Cansei”

"Não se deve tomar o nome de Deus em vão. Mas não seria irreverência ao seu nome colocá-lo entre a multidão que está participando do Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, mais conhecido como “Cansei”. Enquanto muitos estão cansados de tanta corrupção, de tanta injustiça, de tanta hipocrisia, de tanta pornografia, de tanta irresponsabilidade, de tanta bala perdida, de tantos crimes, de tantos acidentes aéreos — o cansaço de Deus não é muito diferente.

Ao se dirigir ao povo de Israel por intermédio do profeta Isaías, Deus declara: “Vocês me cansaram com os seus pecados e me aborreceram com as suas maldades” (Is 43.24, NTLH). Em ocasião anterior, Deus já havia se queixado da hipocrisia religiosa do povo: “As Festas da Lua Nova e os outros dias santos me enchem de nojo; já estou cansado de suportá-los” (Is 1.14, NTLH).

Jesus também externa o seu cansaço: “Ó geração incrédula e perversa, até quando estarei com vocês? Até quando terei que suportá-los?” (Mt 17.17).

Talvez essa semelhança entre o clamor do povo e o clamor de Deus nos ajude a entender melhor a reação do Senhor frente à teimosia pecaminosa do ser humano."

terça-feira, 20 de novembro de 2007

ABORTO

Deixo que as "mães" falem:



segunda-feira, 19 de novembro de 2007

O Senhor da dança

" Eu dancei na manhã em que o mundo começou,
Desci do céu e dancei na terra.
Em Belém, onde nasci.
Dancei para os escribas e fariseus,
Mas eles não dançaram e não me seguiram;
Dancei para os pescadores, para Tiago e João;
Eles vieram a mim e a dança continuou.
Dancei no sábado quando curei o paralítico,
O povo santo disse que isso era vergonhoso;
Chicotearam-me, deixaram-me desnudo e me suspenderam ao alto;
E deixaram-me ali, sobre uma cruz, a morrer.
Dancei na sexta-feira, e o céu escureceu;
É difícil dançar com o pecado do mundo em suas costas;
Sepultaram meu corpo e acharam que era o fim,
Mas eu sou o Senhor da dança e continuo a dançar.
Derrubaram-me, mas eu me levantei.
Eu sou a vida que nunca jamais morrerá;
Viverei em você, se você viver em mim;
Eu sou o Senhor da Dança.
Dance, então, quem quer que você seja;
Eu sou o Senhor da Dança.
Eu o guiarei aonde quer que você for,
Eu o guiarei na dança."
.
.
.
Acredito nisso, lembro desses versos quando é ardua a jornada, lembro que posso dançar, em qualquer tempo com meu Senhor. Lembro que no fim, estaremos juntos, danceremos face a face!

domingo, 18 de novembro de 2007

Mesmo em silêncio

"Eu acredito no sol, mesmo que ele não brilhe. Eu acredito no amor, mesmo que não o sinta. Eu acredito em Deus, mesmo que Ele esteja em silêncio."

Essa frase foi escrita por uma menina judia, que na segunda guerra, fugindo dos soldados de Hittler, escondeu-se em uma caverna.
A criança resolveu esconder-se lá dentro fugindo dos soldados nazistas.
uma bomba destruiu a saída da caverna, impossibilitando sua saída.
No escuro, com frio e fome... Quanto desespero essa pequena criança não passou, só, longe de todas as pessoas que lhe davam proteção, amor, conforto, segurança...
Apesar disso, ela pode escrever uma frase com tanta força, ela tinha a certeza de que Deus estava junto dela, segurando ela como um bebê, mesmo que Ele estivesse em silêncio.
Quantas vezes não nos sentimos assim, sós, na escuridão, sem amor e deixamos de acreditar nessas coisas, nas pessoas e na possibilidade de uma situação melhor.
Noss tornamos céticos e pensamos: "nada de bom há nessa vida...Não existe Deus...Não existe amor..."
Na realidade, quando passamos por situações difíceis, nas quais a escuridão se mostra inteira, densa, parece que da caverna não haverá saida, nem escapatória, não haverá suprimentos, mesmo que tudo isso seja real, é justamente aí onde Deus está, ao nosso lado, pois é na nossa fraqueza que a força de Deus se torna maior, porque só desse modo enxergamos que a força da vida, que a luz não é nossa mas é própria dEle. E então exatamente aí, ele nos segura em suas mãos e nos chama pelo nosso nome, fala conosco.
Pode ser que continuemos por mais um pouco de tempo dentro da caverna, pode ser que não o importante é acreditar em DEUS, que Ele faz todas as coisas para o nosso bem, "mesmo que Ele esteja em silêncio".



Creative Commons License


Esta obra está licenciada sob uma
Licença Creative Commons.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Senhor Jeová, Tu o sabes. (Ez.37.3)

Aqui está uma resposta de fé. "Tu o sabes!" - que travesseiro para descansar a cabeça "Tu o sabes!" -Como são poucas, mas abrangentes, as palavras que resumem e expressam as dificuldades, perplexidades e provações do coração. "Tu o sabes!" - Que lugar doce e inexprimível descanso no meio da agitação tulmutuosa da vida; no meio de um mar que não conhece calmaria; no meio de uma cena em que a trama consiste em ser lançado de um lado para o outro! Que resposta contêm para cada coração que não consegue expressar suas grandes emoções; para um coração cujos pesares são tão profundos, que a linguagem não consegue encontrar o caminho para Deus!
Oh, que elas sempre predominem na alma, como resposta a cada dificuldade em nosso caminho!
Elas são as respostas de Deus para nossos corações descansarem e os lábios pronunciarem quando todos os caminhos estão bloqueados e não conseguimos passar. "Senhor Jeová, Tu o sabes!" Descansa aqui. Recosta a alma nessas palavras Repousa calmamente no seio de teu Deus e carrega-as contigo em cada cena da vida.
"Senhor Jeová, Tu o sabes!"

F. Whitfield

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

conseqüência da pornografia



Uma das consequências fundamentais da pornografia e da violência é o menosprezo aos demais, ao considerá-los como objetos em vez de pessoas.

A pornografia e a violência suprimem a ternura e a compaixão para deixar seu espaço à indiferença, quando não à brutalidade.

A pornografia é contra a mulher.

A clara degradação e humilhação das mulheres são os temas centrais de filmes porno, novelas e fotografias.

Na pornografia menos violenta o abuso é menos óbvio, mas ainda assim está presente, uma vez que as mulheres são tratadas como objetos sexuais, criaturas disponíveis para serem olhadas de revés, usadas e abusadas e depois substituídas por outras.


algumas Conseqüência da pornografia:


Abandono / Negligência / Violência Física contra Crianças e Adolescentes / Violência Doméstica / Violência Psicilógica / Exploração sexual comercial / Pornografia infantil / Pedofilia
Existe solução para isso!


.
.
.
contato@sexxxchurch.com

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Surpreendidos por Deus

Durante a vida somos surpreendidos por Deus com situações inesperadas, ou circunstâncias contrárias à nossa vontade humana:
Para Abraão a surpresa de Deus veio quando mandou oferecer seu filho (Isaque) em holocausto; Jó foi surpreendido com a perda de filhos, bens materiais e a saude; José do Egito teve a sua surpresa ao perder a liberdade, quando vendido pelos irmãos como escrevo, e por ser fiel a Deus e fugir da esposa de Potifer.
Qual foi a surpresa inesperada na sua vida?
Saiba que a surpresa é o método preferido de Deus.
Quando surpreendidos somos tentados a erguer o punho diante de Deus e clamar:
"O que você está fazendo Deus?"
Deve ter sido assim na vida de Abraão, Jó, José e em alguns momneots da sua vida também.
Mas nós, como o barro, na mão do Oleiro, que "conhece todos os nossos caminhos" e "tudo faz como LHE agrada", evemos nos adaptar por meio da fé, "que tem como oposto o medo".
Certamente esses homens de Deus passaram por momentos de dor física, emocional e quem sabe espiritual, mas o mesmo Deus Soberano que permitiu o sofrimento concedeu o alívio necessário por meio da Sua maravilhosa Graça.
"Bem seu que TUDO podes e nenhum dos Teus planos é frustrado", "TODAS as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus" e "duvido que Deus possa usar alguém grandemente sem que o fira com profundidade".
Você está disposto a ser surpreendido pelo mistério da vontade de Deus?
(Starch Souza)

Natal

O Célio do blog, Saindo da Zona de conforto, me convidou para um MEME diferente e cristão. Não tem nada haver com memórias e nem brincadeiras, mas é um assunto sério e gostoso de fazer, pois realizar coisas boas a outras pessoas faz bem à alma. Vou colocar aqui o texto que ele postou no blog dele pra vcs entenderem:

Que tal fazer algo diferente nesse Natal?Ir numa agência dos Correios e pegar uma dentre as milhões de cartinhas de crianças carentes e ser o Papai (ou Mamãe) Noel delas? Fui informado de que tem cada pedido inacreditável. Tem criança pedindo panetone, blusa de frio para a avó…. dentre outras coisas. É só pegar a carta e entregar o presente numa agencia dos correios até o dia 20 de Dezembro. O próprio Correios se encarrega de fazer a entrega.

Vamo lá então?? Mexendo as pernoquinhas da cadeira e indo até uma agência que eu sei que tem um monte por perto da sua casa!

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

29 DE OUTUBRO DE 2007 - 17h54O
rolo do Rolex: Zeca Baleiro contesta 'texto fútil' de Huck
Em resposta a Luciano Huck, o cantor Zeca Baleiro pergunta na edição desta segunda-feira (29) da Folha de S.Paulo. "Por que um cidadão vem a público mostrar sua revolta com a situação do país, alardeando senso de justiça social, só quando é roubado?" E conclui, para elevar o debate: "o problema do mundo é mesmo um só - uma luta de classes cruel e sem fim". Leia seu artigo na íntegra.
O rolo do Rolex
Por Zeca Baleiro

No início do mês, o apresentador Luciano Huck escreveu um texto sobre o roubo de seu Rolex. O artigo gerou uma avalanche de cartas ao jornal (Folha de S.Paulo), entre as quais uma escrita por mim. Não me considero um polemista, pelo menos não no sentido espetaculoso da palavra. Temo, por ser público, parecer alguém em busca de autopromoção, algo que abomino. Por outro lado, não arredo pé de uma boa discussão, o que sempre me parece salutar. Por isso resolvi aceitar o convite a expor minha opinião, já distorcida desde então. Reconheço que minha carta, curta, grossa e escrita num instante emocionado, num impulso, não é um primor de clareza e sabia que corria o risco de interpretações toscas. Mas há momentos em que me parece necessário botar a boca no trombone, nem que seja para não poluir o fígado com rancores inúteis. Como uma provocação. Foi o que fiz. Foi o que fez Huck, revoltado ao ver lesado seu patrimônio, sentimento, aliás, legítimo. Eu também reclamaria caso roubassem algo comprado com o suor do rosto. Reclamaria na mesa de bar, em família, na roda de amigos. Nunca num jornal. Esse argumento, apesar de prosaico, é pra mim o xis da questão. Por que um cidadão vem a público mostrar sua revolta com a situação do país, alardeando senso de justiça social, só quando é roubado? Lançando mão de privilégio dado a personalidades, utiliza um espaço de debates políticos e adultos para reclamações pessoais (sim, não fez mais que isso), escorado em argumentos quase infantis, como "sou cidadão, pago meus impostos". Dias depois, Ferréz, um porta-voz da periferia, escreveu texto no mesmo espaço, "romanceando" o ocorrido. Foi acusado de glamourizar o roubo e de fazer apologia do crime. Antes que me acusem de ressentido ou revanchista, friso que lamento a violência sofrida por Huck. Não tenho nada pessoalmente contra ele, de quem não sei muito. Considero-o um bom profissional, alguém dotado de certa sensibilidade para lidar com o grande público, o que por si só me parece admirável. À distância, sei de sua rápida ascensão na TV. É, portanto, o que os mitificadores gostam de chamar de "vencedor". Alguém que conquista seu espaço à custa de trabalho me parece digno de admiração. E-mails de leitores que chegaram até mim (os mais brandos me chamavam de "marxista babaca" e "comunista de museu") revelam uma confusão terrível de conceitos (e preconceitos) e idéias mal formuladas (há raras exceções) e me fizeram reafirmar minha triste tese de botequim de que o pensamento do nosso tempo está embotado, e as pessoas, desarticuladas. Vi dois pobres estereótipos serem fortemente reiterados. Os que espinafraram Huck eram "comunistas", "petistas", "fascistas". Os que o apoiavam eram "burgueses", "elite", palavra que desafortunadamente usei em minha carta. Elite é palavra perigosa e, de tão levianamente usada, esquecemos seu real sentido. Recorro ao "Houaiss": "Elite - 1. o que há de mais valorizado e de melhor qualidade, especialmente em um grupo social [este sentido não se aplica à grande maioria dos ricos brasileiros]; 2. minoria que detém o prestígio e o domínio sobre o grupo social [este, sim]". A surpreendente repercussão do fato revela que a disparidade social é um calo no pé de nossa sociedade, para o qual não parece haver remédio -desfilaram intolerância e ódio à flor da pele, a destacar o espantoso texto de Reinaldo Azevedo, colunista da revista Veja, notório reduto da ultradireita caricata, mas nem por isso menos perigosa. Amparado em uma hipócrita "consciência democrática", propõe vetar o direito à expressão (represália a Ferréz), uma das maiores conquistas do nosso ralo processo democrático. Não cabendo em si, dispara esta pérola: "Sem ela [a propriedade privada], estaríamos de tacape na mão, puxando as moças pelos cabelos". Confesso que me peguei a imaginar esse sr. de tacape em mãos, lutando por seu lugar à sombra sem o escudo de uma revista fascistóide. Os idiotas devem ter direito à expressão, sim, sr. Reinaldo. Seu texto é prova disso. Igual direito de expressão foi dado a Huck e Ferréz. Do imbróglio, sobram-me duas parcas conclusões. A exclusão social não justifica a delinqüência ou o pendor ao crime, mas ninguém poderá negar que alguém sem direito à escola, que cresce num cenário de miséria e abandono, está mais vulnerável aos apelos da vida bandida. Por seu turno, pessoas públicas não são blindadas (seus carros podem ser) e estão sujeitas a roubos, violências ou à desaprovação de leitores, especialmente se cometem textos fúteis sobre questões tão críticas como essa ora em debate. Por fim, devo dizer que sempre pensei a existência como algo muito mais complexo do que um mero embate entre ricos e pobres, esquerda e direita, conservadores e progressistas, excluídos e privilegiados. O tosco debate em torno do desabafo nervoso de Huck pôs novas pulgas na minha orelha. Ao que parece, desde as priscas eras, o problema do mundo é mesmo um só - uma luta de classes cruel e sem fim.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

A Crise da Transmissão da Fé

por
Rev. Ricardo Barbosa de Souza



A transmissão da fé em nossa cultura secularizada requer de nós novos cuidados e preocupações que nossos pais não tiveram
Uma preocupação que vem crescendo e provocando muitas conversas tanto dentro da Igreja Católica como na Evangélica é o da transmissão da fé para as futuras gerações. Na Europa, alguns estudiosos já demonstraram isso em trabalhos como o do espanhol Juan Martin Velasco, que escreveu La transmissión de la fé en la sociedad e do bispo alemão J. J. Degenhardt, com seu livro Crisis of the transmission of the faith, em que ambos apontam um fenômeno, não só europeu, mas ocidental, envolvendo principalmente as igrejas cristãs.
Existem várias causas para isso, mas a secularização da sociedade ocidental é apontada por todos como a causa primeira desta crise. Olhando para o Brasil, vemos uma Igreja que ainda cresce numericamente, mas que tem perdido sua relevância cultural, social, política e econômica. E vem perdendo também suas raízes históricas e teológicas. Uma Igreja que oferece uma infinidade de programas, atividades e várias formas de entretenimento religioso, mas que tem perdido a capacidade de criar, principalmente nas novas gerações, um grau de compromisso e fidelidade para com a verdade bíblica. O que os membros fazem no domingo tem pouca ou nenhuma relação com o que fazem nos outros seis dias da semana. Nossas tradições foram descartadas, nossos valores relativizados e nossas convicções se transformaram em discretas e frágeis impressões religiosas. Vemos também, inclusive dentro da Igreja cristã, a intensificação do individualismo como resposta à secularização e o crescente movimento da moderna psicologia, que valoriza o "indivíduo autônomo" em sua busca pela auto-realização.
Diante de um cenário assim, ao olhar para o futuro do cristianismo, somos tomados por um sentimento de apreensão e perplexidade. Por um lado, sabemos que a Igreja é de Cristo e é ele quem a sustenta e guarda – no entanto, a história da Igreja é dinâmica e, em muitas nações e até continentes onde ela já foi viva e forte, hoje não é mais. Portanto, temos que refletir sobre nosso papel nesse processo e como será o processo de transmissão da fé para as novas gerações.
A transmissão da fé em nossa cultura secularizada requer de nós novos cuidados e preocupações que nossos pais não tiveram. No passado, com a centralidade da religião e da família na cultura ocidental, o processo era natural. Hoje, nenhuma das duas ocupam mais este lugar. Antigamente, os valores e convicções cristãs eram claramente definidos e aceitos socialmente. Eram eles que estabeleciam uma fronteira clara entre o que era certo e errado ou entre o que era pecado e o que não era. A identidade do cristão era socialmente bem definida, o que lhe dava também uma certa segurança e responsabilidade. Agora, não – falta essa identidade clara e os valores e convicções evaporaram. A grande pergunta que se coloca diante de nós é: como iremos transmitir para nossos filhos e netos os valores e princípios da fé cristã?
A nova preocupação com a "espiritualidade" pode ser uma resposta à crise da transmissão da fé. Muitos têm confundido espiritualidade com uma forma de intimismo religioso que surge como resposta ao individualismo secularizado, intensificando a alienação e não promovendo um relacionamento real e verdadeiro com o Deus triúno da graça. Para ser relevante, a espiritualidade precisa oferecer uma resposta à crise da transmissão da fé, fundamentando-se na revelação bíblica de Deus como uma Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo).
Uma espiritualidade fundamentada na Trindade nos conduz a um relacionamento pessoal com Deus-Pai que não é fruto de uma compreensão particular e intimista, mas da revelação que Jesus, o Filho unigênito nos apresenta. Conhecer a Deus Pai não é o resultado das projeções das nossas melhores intenções paternas, mas o resultado exclusivo da relação única que o Filho eterno tem na comunhão com o Pai. Somente Cristo é quem nos revela a natureza paterna de Deus. Conhecer a Cristo é conhecer aquele que nos foi enviado pelo Pai e que realizou por nós, na cruz do Calvário, a gloriosa obra da reconciliação através da justificação e do perdão dos nossos pecados. Compreender o que Jesus fez na cruz e responder ao Pai em comunhão, obediência e adoração só nos é possível pelo poder do Espírito Santo, que abre nossos olhos, levando-nos a compreender nosso pecado e a necessidade de redenção. E que também nos abre para Deus por meio de Cristo e para a comunhão com os santos.
O caminho para enfrentar a crise da transmissão da fé passa por uma espiritualidade centrada na Trindade e nas Sagradas Escrituras. Somente a partir de um relacionamento pessoal com o Deus trino da graça é que poderemos recuperar o valor daquilo que é verdadeiro e resistir à subjetividade da cultura secular. Compreender a realidade a partir da revelação de Deus em Cristo, e não através da psicologia e sociologia modernas, nos libertará da percepção reducionista da cultura secular e nos conduzirá a uma compreensão profunda e realista da natureza humana, da nossa condição social, dos propósitos da criação e da comunhão com o Senhor e com o próximo.
Olhar para a realidade a partir da auto-revelação de Deus em Cristo nos conduzirá a uma nova dinâmica de vida e fé onde todos os eventos, encontros, experiências, desejos, ações e paixões serão holisticamente absorvidos em Cristo. É isso que nos tornará mais verdadeiros e nos conduzirá à vida abundante prometida pelo Senhor. O legado que precisamos deixar para as novas gerações envolve um caminho de fé que nos conduza a uma completa rendição e entrega, da mesma forma como o Filho de Deus se entregou por nós em amor e obediência ao Pai. Somente através de uma conversão real e dinâmica é que as novas gerações irão reconhecer o valor pessoal, histórico e social da fé cristã e responderão a ela numa vida de obediência, amor, comunhão e serviço.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Um mundo feito de aço

Vendo algumas fotografias e frases que seguiam junto delas,li uma algo muito interessante:
"Para mim as metalúrgicas são deuses poderosos, que comandam a sinistra produção de metal que domina o mundo. Nelas, tudo é violento, desproporcional, trágico. O metalúrgico sabe que trabalha na fronteira da morte, entre rios de metal escaldante e frente às caldeiras do inferno. Ele entende que o mundo é controlado pelo aço."
Sebastião Salgado
Acredito que, como o autor da frase, aprendi a ver o mundo fromando-se assim, através de muros feitos de aço e concreto.E esses muros se arraigaram no coração do homem.
Se o amor de muitos esfriaria, essa é a geração em que isso ocorre com maior plenitude, sente-se isso, respira-se isso, nos jornais, ruas, nas casas.
Metais... interessante o valor que atribuimos a eles...
No livro "A Utopia"(literalmente o não-lugar de nenhum lugar), o humanista e jurista inglês Tomás Morus (1478-1535), descreve o valor dos metais preciosos. Na sociedade prejetada em seu livro o ouro serve para construir as coisas mais vis existentes, as pedras preciosas enfeitam as crianças, que logo querem entregá-las a outras crianças por terem se tornado adultos.A Bíblia mostra o céu com ruas de ouro e o mar feito todinho de cristal.Lá não importa o quanto você tem e sim quem você foi e em que creu.
Metais, um mundo feito de metais que sustentam a ganância, a maldade, por eles o mundo gira e o mundo de alguns para de girar por causa deles.
Dinheiro... papel que compra metal, que tem sustentado um fé morta, desertora e falsa. Uma fé que busca bens, que de nada valem quando se observa da perspectiva do amor.Uma fé que olha para o Salvador como um banqueiro e que se vê como "filho do rei" quando é a vida aborratada de "bençãos" está em jogo, e que esquece que o primogênito entre todos, o Cristo, se fez o mais sofredor e pobre entre todos os homens, homem de dores que soube sim o que era padecer.Que fé é essa que enche templos, que ridiculariza o cristianismo da cruz, do abrir mão,do dar em lugar de receber, do estender a mão, do servir, do amar? Fé que não sabe amar, apenas visa lucros.
Abro mão dessa fé que usa os outros para seus próprios interesses, tentam barganhar com Deus, usando as próprias escrituras para isso (embora isso não seja novidade porque Jesus Cristo foi tentado no deserto da mesma forma). Conhecem a verdade e distorcem ela. Creio que a estes restará a frase - "Não sei donde vós sois; apartai-vos de mim".
Abro mão dessa fé mediocre que encobre quem Deus de fato é, e o que Ele fez por nós.
Em nome da minha FÉ digo:
Deus é amor.
Veio nos salvar.
Salvação, preço pago sem nenhum metal, mas com um liquido precioso - SANGUE.
Preço que eu nunca poderia pagar, nem sei o quanto vale... ou sei , para mim vale a minha vida e a de muitos outros a quem eu possa mostrar o que realmente importa, algo de importante pelo que se possa viver e também morrer - Deus.
E o legado mais precioso que ele deixou conosco -IR, falar dEle. Só.
Talvez assim eu e muitos outros que pensam como eu, possam esquentar um pouco o amor dessa geração.
Fazer com que corações de aço se transformem em corações vivos, cheios de FÉ, esperança e novamente amor, sendo o maior destes o AMOR.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Deus que responde, Deus de milagres


Vou contar duas histórias e depois podemos refletir sobre elas.
A primeira história é tão sem solução, para nós, quanto a segunda e se olharmos para elas sem o final, podemos perceber que nada, absolutamente nada, está em nossas mãos.
Como é difícil não ter o controle e percebermos que o que temos, é o nada ao nosso alcance.
Vou falar de um homem conhecido por sua paciência. Esse homem sofreu a perda de tudo que tinha, mas além de perder o material, ele perdeu o melhor de todos os presentes que se pode querer: a saúde. O que somos se não temos esse bem maior sob nosso controle?
"A identificação de doenças com nomes antigos não é fácil tarefa, mas a opinião médica dos nossos dias sugere que a doença deste homem fosse um caso de Furunculose Estafilocócica Generalizada, outros falam em Elefantíase e ainda em lepra. O Prof. Flamínio Fávero, Catedrático de medicina legal na faculdade de medicina de São Paulo , ligada ao hospital das clínicas, conclui que a doença deste homem era o Pênfigo Foliáceo, ou Fogo Selvagem."
Seja qual for a doença que este homem tinha, o fazia sofrer muito ,dores terríveis! Mas o que nos faz pasmos é perceber que a maior tristeza dele era pensar estar longe do Criador e não apenas o fato de estar doente. O que faz esse homem tremendamente, maravilhosamente conhecido por tanto tempo: sua fé. Fé em seu Redentor ele sabia que estava vivo e que por fim se levantaria e olharia para sua situação, transformando tudo em muito melhor! Ele sabia que o seu Senhor, era o Deus que responde! O que este homem fez? Falou! O que o seu Deus fez? Respondeu! O nome deste homem? Jó.A outra história é a de uma mulher, esta sem nome e sem rosto, mais uma em meio a multidão de doentes e pedintes que rodeavam um certo Homem que passou por aqui há alguns muitos anos atrás. Mulher pobre e sem rosto, quem era ela numa multidão? Ela sofria de uma hemorragia havia doze anos, gastou tudo o que tinha com médicos, ninguém conseguiu fazer nada (e novamente o nada nos olha com sua frieza e incredulidade). Porém, esta mulher viu o Homem, Aquele que não tinha formosura aparente, mas que era o que É e o que há de vir, Primeiro e Único, Princípio e Fim, Princípe da paz. Ela apenas tocou a orla de sua veste, por trás da tão temida multidão que o apertava. Aconteceu o inesperado:
- Quem me tocou?
- Uma multidão te tocou! - Responderam os discipulos
- Alguém me tocou com fé, porque de mim saiu poder!
A mulher, sabendo que não podia esconder-se daquele que tem TUDO em suas mãos, se prostrou e confessou que o tocando foi imediatamente curada. Porque? Porque ela creu no Deus de Milagres!Entender que somos nada e que o nada é só o que temos em nossas mãos, é difícil, somos prepotentes e orgulhosos. Ter certeza que Jesus Cristo é este Deus que é TUDO e que Ele é o único que tem TUDO em suas mãos, também é, porque temos que abrir mão de nós mesmos e entregar o fardo.Entender que há alguém olhando por nós e que cuida de nós, em detrimento do que nossos olhos estejam vendo haja o que houver, Ele é quem domina.
Diante disto, nós temos duas opções: Crer que Ele É e entender que esta verdade é a única que existe, ou negar esta verdade e não ter em quem confiar, não ter esperança, não ter fé.
Talvez os nossos problemas muitas vezes pareçem engolir a nossa alma, desdenhar da nossa esperança, brincar com a nossa fé, mas a partir do momento que nos entregamos a esse Deus que emana poder e graça podemos perceber que nada é em vão, que em tudo que há propósitos e que Suas promessas em nossas vidas são de paz. Basta tão somente entrgar e o trabalho cabe a esse Pai de amor. Um Deus que responde, um Deus de milagres, seja qual for a circunstância.Ele sabe o porquê e o domínio está em suas mãos pelos séculos dos séculos. Se cremos que Ele tem tudo e é tudo e nós nada, só aí então, podemos ter Tudo que vem dEle e sermos mais do que podemos imaginar.Tenha fé!
(O Trecho entre aspas foi retirado do livro Consolo, de Eleny Cavalcanti)
Amanda Oliveira (filha da Luz)

domingo, 2 de setembro de 2007

A história de Dayse

Era um travesti alto, magro e desengonçado, e tinha uns implantes. Não sei como começou na homossexualidade, mas disse que tinha sede de Deus desde antes.
Quando criança, num passeio a uma Igreja Católica com sua mãe, viu um caixão de vidro com uma estátua de Jesus dentro. “Igreja do Jesus morto”; a mãe era devota. Quando chegaram perto, ele, pirralho, sentiu que Jesus lhe olhava.
– Mãe, Jesus está vivo!– Pare de dizer besteira, menino...
– ela não viu, mas ele sabia que Jesus não estava morto. Adulto, Daisy foi se desiludindo consigo mesmo numa sede que não terminava por outro tipo de vida, apesar de ter tudo o que um travesti poderia desejar, como um parceiro e um filho adotivo. Ligava o rádio na sintonia dos pentecostais. Ouvia músicas e pregações o dia inteiro. Não se cansava nem da repetição nem dos chavões. Ouvia até a hora de sair para ganhar a vida na rua. Tornou-se um hábito ouvir o evangelho. O parceiro e os vizinhos se irritavam.
Daisy ficava mais amuado, mais convicto. Começou a ler a Bíblia.Uma noite não agüentou mais. Percebeu que não tinha coração para levar a vida assim. Decidiu que aquela seria a sua última noite na rua. Ouviu rádio e pegou a Bíblia. Abriu no primeiro capítulo de Apocalipse, que fala sobre a revelação de Jesus, em suas vestes de luz e língua como espada de fogo. Lindo! Assim seria sua fantasia, a última da vida de rua.– Vou de “drag-jisas”.Enfeitou-se todo de branco e dourado, reverente. Não era uma drag qualquer, era o próprio Jesus de uma maneira simbólica dizendo-lhe que chegara sua hora de mudar. Não conseguiu fazer a vida naquela noite; pregava sem parar, como os pregadores do rádio que ouvia há tanto tempo. Pregava para as prostitutas, para os clientes, para os passantes. O ponto se esvaziou, os habituais corriam para não ouvi-lo. Finalmente, no romper da manhã, tendo arruinado a noite de todos os freqüentadores do ponto, sentou-se feliz, cantando uma daquelas músicas do tipo “sai demônios e vem Jesus”.Logo depois Daisy adoeceu e descobriu-se portador do vírus HIV. Estranhamente não teve medo. Sua irmã conhecia algumas pessoas em Belo Horizonte e resolveu dar uma passada por lá para ver se encontrava ajuda para ele. A vida tem seus caminhos; ao receber a medicação, Daisy encontrou também algumas pessoas do grupo VHIVER, que ajuda portadores do vírus da aids a viver com qualidade. De lá esbarrou nos crentes da Caverna de Adulão e conheceu o Jesus que amava. Converteu-se, “destravecou-se”, “homenzou-se” do melhor jeito que pôde. O parceiro ficara no Rio de Janeiro com o filhinho adotivo. Teve de dizer-lhe que era homem agora e que cuidaria do filho, mas já não seria “casado”. Sentiu-se puro como um bebê. Dizia que já tinha feito sexo demais a vida toda e agora não precisava mais; iria viver para Deus de todo o seu coração...Mas não podia ficar em Belo Horizonte, tinha de voltar ao Rio. O Geraldo, da Caverna, se preocupou: “E agora, o que vai ser de Daisy? Quem vai entendê-lo para integrá-lo?”A essa altura Daisy já se chamava como homem, mas os trejeitos de uma vida no submundo não saem fácil. As marcas (as mãos na cintura, o andar reboloso e a voz fina que ainda desafina) ficam.Daisy voltou para o subúrbio do Rio. Despachou o parceiro, pegou suas coisas e mudou-se. Mas aí veio a parte dura: conseguir um emprego, se sustentar de maneira digna e encontrar uma igreja onde fosse aceito. Nos primeiros meses quase não tinha dinheiro; a única congregação do bairro era o lugar mais perto. As emoções de Daisy ainda eram as emoções de uma caricatura de mulher. Ia à igreja esperando amor como o que encontrara em Belo Horizonte. No começo encontrava o porteiro:– “Tem culto hoje não, desculpe.” – “Ah...” – o ar decepcionado de Daisy não mudava em nada a cara do porteiro. Infelizmente a igreja não conseguiu entender o rapaz. Daisy tentou mais uma e mais outra. Mas o que aconteceria se no bairro vissem aquele homem ainda com peitos freqüentando os cultos? Terminou por entender que não era bem-vindo – mais uma ferida para carregar para quem já sofreu tantas.Sem ajuda na fé e sem apoio econômico e social para recomeçar, a fé de Daisy se apagou. Geraldo o viu um dia desses nas páginas de uma revista, militando pela causa homossexual, e respirou aliviado, pensando: “Pelo menos ele ainda está vivo...”Daisy, se você está lendo isto, tente outra vez. Vamos aprender a caminhar com você pelo caminho da restauração. Vamos aprender a fazer da sua vergonha a nossa vergonha e, pelo nosso amor, fortalecer a sua fé naquele que nos transforma.

--------------------------------------------------------------------------------
Bráulia Ribeiro é missionária em Porto Velho, RO, e presidente da JOCUM – Jovens com Uma Missão. braulia_ribeiro@yahoo.com

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Missões

Milena (Zeninha) - Missões na África


Reunião de oração por missões...
Chegando lá, sentei, vi as fotos de missionários em lugares distantes e missinários urbanos.
Vi pessoas atingidas pela verdade de Cristo, lutando pela verdade de Cristo.
Quando fomos orar alguns pedidos de oração foram feitos:
pela política do nosso país, pela diferença social, pela violência, pela prostituição, pelas drogas, pelas ONG's e o que me chamou mais atenção, pela unidade das igrejas na cidade, no país.
Comecei a orar, mas a única coisa que conseguia falar em minha oração era:

- SENHOR, ME LIVRA DA HIPOCRISIA QUE HÁ EM MIM.

A hipocrisia de achar que é apenas culpa e obrigação dos políticos de fazerem alguma coisa pelo "povo", quando na realidade o povo sou eu e eu tenho que fazer algo por mim mesma e pelos outros, se não fosse assim Jesus não teria dito para ama ao meu próximo como a mim mesmo.
A hipocrisia quando vejo pessoas na miséria e não levanto minha voz e minhas mãos em auxílio. A hipocrisia vendo a prostituição e achar que um dia "alguém" vai ter que chegar perto daquelas pessoas, quando esse alguém sou eu mesma.
A hipocrisia observando drogados entrando por um caminho na maior parte das vezes sem retorno e pensar que aquilo me deprime muito para que eu me envolva, mas não revelar a ninguém o meu sentimento e continuar levantando meu "clamor" apenas.
A dor em ver ONG's fazendo aquilo que nós, como cristãos, deveriamos fazer!
E a pior de todas, a hipocrisia de achar que não somos um só corpo.
De não ver o quanto sou egoísta.

Achar que orar apenas vai resolver todos os problemas de uma nação... poderia sim! Deus é soberano, pode todas as coisas, mas creio que Ele quer nos dar a oportunidade de sermos humanos, de sentirmos, de nos apegarmos ao outro de tal forma que a dor do outro seja a nossa e então quando a alegria do outro vier será a nossa também!
Orar para que Deus chame trabalhadores para a obra é lindo, mas lembrar que Ele chamou a todos para fazermos todo esse trabalho aqui na terra é mais bonito ainda - IR, IR, IR!
Deus deu a nós e não aos anjos o poder de falar das boas novas, porque nós sabemosa dor que os seres humanos sentem.
Falar da graça salvadora que nos sustenta e que nos livrou de uma miséria espiritual, de uma droga de vida, de uma vida alienada e anestesíada pelo egoísmo, prostituída pela ganância, arruinada pelo medo, podre. Muito pior do que aquilo que os olhos conseguem ver em uma prostituta, em um drogado, em um marginal, é um coração falido e uma alma enjaulada e foi disso que Cristo um dia me livrou, salvou.
Tenho um amigo, ele está longe daqui, falo muito com ele sobre missões e muito tenho aprendido sobre doar mais que receber, porque quando se doa assim, de maneira desinteressada, apenas desejando que Deus cresça mais e mais, se recebe muito mais. Abrir mão de mim mesma.
Aprendido também que confiar em Deus e acreditar que Ele proverá realmente é o mais fácil, o mais difícil é meu coração se abrir para essa verdade. E o mais lindo a se fazer, descançar nos braços do Senhor, não sei porque é tão difícil aceitar essa verdade, para um Deus que deu criou o mundo em 6 dias e deu seu único Filho por nos amar, cuidar de nós é apenas um bônus!
Tenho aprendido também que o tempo é dEle, cabe a nós apenas usarmos da melhor forma esse tempo aqui na terra.
Acho que, mesmo longe de tudo aqui, mesmo com saudades grandes, com sonhos maiores que as saudades, ele recebe muito mais que alguém que está apenas de braços cruzados no banco da igreja orando por avivamento ou orando para Deus mandar trabalhadores, recebe algo que o dinheiro não pode comprar e ninguém pode roubar. Recebe as mãos do Senhor ensinando e transformando o interior de tal forma que ele pode sonhar os sonhos de Deus livremente e ter a certeza que Ele está providênciando o mais, como um Pai que cuida de seus filhos.
Recebe a alegria de construir o reino de Deus aqui na terra.
Aprendi a me livrar desse medo e hipocrisia e dizer apenas: Eis-me aqui.
Espero que você entenda que já passa da hora de ir também!

Eu também Cansei - por Guilherme Arruda Aranha

A campanha "cansei", promovida pela OAB/SP e por setor do alto empresariado nacional, auto-intitulada "movimento cívico pelo direito dos brasileiros", convoca os cansados em geral a fazer um minuto de silêncio às 13h00 de hoje "pelo bem do Brasil".
Não contem comigo: não vou fazer um minuto de silêncio nem vou bater panelas, pois cansei mesmo foi das campanhas "da paz", campanhas "contra o governo" e, sobretudo das campanhas do tipo "cansei".
Cansei também dos berros da classe média, oprimida entre os ricos e o crime organizado, se achando o umbigo do universo. Cansei da classe média incapaz de se ver refletida no espelho que é a política, sem a dignidade de assumir que a corrupção que tanto nos critica "outros" é, em sua origem, a mesmíssima daquele que desembolsa cinqüenta reais para não ser multado, que atravessa o sinal vermelho porque não tem guarda olhando e que faz ultrapassagem pelo acostamento na volta do feriadão.
Cansei da classe média que só enxerga a corrupção dos políticos, mas é cega e complacente com empresários corruptores e sonegadores de impostos. Cansei da classe média que não se dá conta que a moral só existe na primeira pessoa e que o resto é moralismo (para quem negocia com o dinheiro público, seja político ou empresário, desejo apenas a aplicação da lei).
Cansei da classe média pedindo o retorno de governo autoritário, de direita ou de esquerda, pouco me importa, para "moralizar essa bagunça". Era só o que faltava. Cansei da classe média disparando e-mails ideológicos e confundindo isso com consciência política.
Cansei da classe média com acesso a ensino de qualidade mas que só lê, quando lê, o mesmo jornal, a mesma revista de sempre e nunca leu Maquiavel, Hobbes, Locke, Rousseau, Marx, Proudhon ou Weber. Não precisava sequer ler na fonte, bastava pegar um livro introdutório para entender algumas das divergências entre tantos autores geniais, atentos às riquezas e misérias da formação daquilo que chamamos hoje de Estado moderno, situando-se um pouco melhor no mundo em que vivemos.
Cansei de uma classe média que odeia a política pelo erro primário e cristão de confundir seres humanos com anjos, o que é uma receita para a decepção, pois é óbvio que homens não são anjos e, portanto, precisamos de política, este mal necessário.
Cansei do mesmo bom-mocismo que divide o mundo de forma maniqueísta: o "Bem" está com a classe média, o "Mal" está com os políticos, aqueles estranhos seres corruptos que vieram de outro planeta e precisam ser exterminados.
Cansei também de achar que o Brasil é uma porcaria maior do que outros países (não é mais nem menos porcaria que EUA, Cuba, França, Canadá, Japão, Austrália, Espanha, Itália ou Suíça). O Brasil tem suas contradições (como qualquer país) e uma delas é ser uma força econômica com péssima distribuição de renda. Aqui a noção de poder legal (Weber) ainda é subversiva e o capitalismo é selvagem. E uma hora os pobres virão mesmo cobrar o que é deles. Agora agüenta, classe média: a incompetência também é nossa e não só dos políticos. Agora agüenta, elite blindada e herdeira de nossa tradição autoritária: a má distribuição de renda é um problema coletivo; a indústria dos carros blindados e dos condomínios murados, uma solução individual (e individualista).
Mas essa equação não fecha: não há soluções individuais para problemas coletivos. Em suma: como advogado paulista não me sinto "representado" aqui pela OAB/SP (não foi com o meu aval que esta entidade uniu-se à "indignação" de um empresário como João Dória Junior, a quem apraz promover desfile de cachorros de madame em Campos de Jordão).
Como cidadão, não vejo nada de "cívico" nesse movimento, orquestrado sabe-se lá com qual verdadeira finalidade. E se uma dessas finalidades for um movimento "fora Lula", sou contra, assim como era contra o "fora FHC", não por simpatia política, mas por convicção democrática. Antes que me perguntem qual é, afinal, a solução para todos os problemas de nosso país, respondo o óbvio: não sei. Sei apenas que não existe mágica.
Fiquemos, pois, com a política e façamos dela a nossa responsabilidade (e não apenas a responsabilidade dos "outros", os políticos), conscientes de que no meio do caminho há pedras. Sempre haverá pedras no meio do caminho.
Hoje, portanto, não bato panelas nem faço um minuto de silêncio. Há exatos 20 anos, aliás, morria Drummond. Às 13h00 de hoje, em homenagem ao poeta, chutarei uma pedra na rua. Ao anoitecer, porém, saberei que "é a hora dos corvos, bicando em mim meu passado, meu futuro, meu degredo: desta hora, sim, tenho medo".
Guilherme Arruda Aranha, 35, advogado, mestre em Filosofia do Direito e do Estado pela PUC/SP e professor de Filosofia do Direito (PUC/SP e UNIFIEO), além de pertencer à classe média.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Vozes. (Ricardo Gondim)




“As minhas ovelhas ouvem a minha voz”. – Jesus de Nazaré.

Há muito meus ouvidos se fizeram surdos; não distingo o imperceptível som de tua voz.
Peço-te que só mais uma vez fales “Efatá” e se abrirão os meus ouvidos.

Quero ouvir teu chamado para seguir a imponderável senda dos profetas que mesmo debaixo de chuva de granizo, defendem a viúva e o órfão.

Quero saber ouvir tua voz de dentro das delegacias sujas,
dos manicômios de muros altos das enfermarias esquecidas.

Quero ouvir teu lamento sobre as nações
que rejeitam os pacificadores,
que apedrejam os esfomeados de justiça,
que se esquecem de abrigar o estrangeiro.

Quero ouvir teus conselhos sobre os perigos da riqueza,
sobre os religiosos que guardam a letra como ortodoxolatria,
sobre a estupidez de ganhar o mundo e deixar a alma entrevada.

Quero ouvir tuas histórias sobre aquele homem bondoso
com um desconhecido caído na calçada sobre aquele
Pai que esperava no alpendre seu filho cansado da orgia,
sobre aquele anfitrião que catou os menos nobres para seu banquete.

Quero ouvir tua advertência de que teus filhos
não são poupados das inclemências do mundo,
não desceste para estar conosco numa redoma.

Quero ouvir tua promessa de que estarás ao nosso lado
em toda circunstância até que tudo termine,
de que enviarás teu Espírito que será um leal conselheiro na verdade.

Quero ouvir teu sussurro me confortando de que falta muito pouco
para festejarmos numa grande festa para dançar e beber vinho de qualidade.
Se tuas ovelhas percebem tua voz, quero, mais do que tudo, que fales e responderei:
Teu Servo ouve.

Soli Deo Gloria.

Igrejas Alternativas


Igrejas alternativas???

Creio que o cristianismo sempre foi uma proposta UNDERGROUND, o reino de DEUS estabelecido na terra,uma possibilidade de vida além da realidade do sistema deste mundo, caído, perverso e egoísta.As "igrejas alternativas" agregam pessoas que não se adequam aos padrões oficiais que é a cultura de massa, pessoas que não se encaixam nos padrões da maioria[ou não são aceitas pela maioria "evangélica"]* .

Estamos descobrindo também cristãos que amam os pecadores e a evangelização, que não se preocupam em perder tempo criticando ou com questões dogmáticas, que não se prendem a rótulos, placas, denominações ou convenções, RESPEITAM, convivem e trabalha bem com irmãos de quaisquer segmento cristão. Se importando com aquilo que as pessoas são no seu dia-a-dia e não se impressionando com títulos, premiações ou currículos. Colocam toda sua vida e todos os seus bens à serviço do evangelho e não são ligadas a dinheiro e as RIQUEZAS, são flexíveis e dispostos a trabalhar nas mais diferentes circustâncias e culturas, dos RASTAFARI de angola aos povos ribeirinhos e tribos indígenas do Amazonas.

Cremos numa liderança PLURAL(e não num dono exclusivo da IGREJA), NÃO SACRALIZAMOS AS CULTURAS JUDAICA, AMERICANA E EUROPEIA unicamente, mas resgatamos e redimimos a diversidade cultural espalhada pelo mundo...

Somos contra e lutamos contra a massificação cultural dos cristãos (...)

Cremos que podemos resgatar a cultura brasileira e não ficar usando outras culturas em nossos cultos a Deus.Valorizando nossa cultura. Somos contra a edificação de grandes templos e catedrais em lugar disso somos a favor de ajudar os necessitados (...).

o evangelho sempre foi simples, este é o reino de DEUS!

JÁH BLESS


(Célio Machado - Saindo da zona de conforto )
*grifo meu

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Dostoiévski

"Fiódor Mikhailovich Dostoiévski, em russo Фёдор Миха́йлович Достое́вский, (Moscovo, 11 de novembro de 1821 - São Petesburgo 1881) foi uma das maiores personalidades da literatura russa. Por vezes grafado como Fyodor Dostoievsky, é tido como o fundador do existencialismo."
Como é ser adimirado pelo mundo mas não se sentir assim e saber que nada daquilo pode mudar a condição de humano que temos... falhos, efêmeros, pó...
Lendo Dostoiévski resolvi pesquisar sobre ele, curiosidade maravilhosa essa das mulheres!!
O homem perde o pai muito jovem, estuda contra vontade numa escola militar, é preso por participar de reuniões ditas subversivas, sofre de epilepsia, é condenado a morte e depois tem sua pena comutada depois disso ainda consegue ser um dos maiores gênios da literatura russa e ainda influencia Freud em seus escritos.
Ele podia mandar essa história de que existe um Deus para as cuicuias, afinal com tanto sofrimento, visto, sentido, estudado, como pode existir um Deus? Mas o que mais me chamou atenção ao ler um pouco sobre sua vida foi que ele não fez isso. Chamou mais atenção ainda o fato dele atribuir à sua epilepsia temporal um valor único, "uma experiência com Deus" ! Como se atribui esse valor a uma doença?!
Inexplicável...
Quantos de nós diante de problemas menores que estes abrimos mão de nossas "experiências com Deus" e seguimos virando as costas para o Criador?
Acho que alguma vez na vida você já fez isso, na verdade eu já fiz isso.
Mas aprendi, assim como Dostoiévski que não vale a pena.
Vi que o aprendizado mesmo em meio a toda dor, nos faz crescer e nos mostra o quanto Deus cuida de nós.
Nos mostra que o sofrimento, a prisão, o exílio serve muitas vezes para que enxerguemos Deus de verdade. A solidão nos mostra como verdadeiramente somos, não para os outros, mas para nós mesmos. Neste momento temos duas escolhas, podemos olhar para cima e perceber que podemos ser maiores que essa condição se estivermos com Deus, se formos filhos de Deus ou continuarmos a andar sós, sentindo pena de nós mesmos, mediocrizados pela nossa própria condição de pó.
Crescer em meio a dor... tarefa difícil... Mas não com Deus ao nosso lado! Ele nos sustenta e debaixo de suas asas estamos sempre seguros.
Como terminou a vida de Dostoiéviski??
Vou mostrar...
"Essas dificuldades pessoais sem dúvida ajudaram a fazer de Dostoievski um dos maiores romancistas de todos os tempos. Inspirado pelo Cristianismo protestante, passou a pregar a solidariedade como principal valor da cultura eslava.
Aos 25 anos, em 1846, publica seu primeiro romance, Gente Pobre, onde trata da vida simples dos pobres funcionários da burocracia russa, com extraordinário sucesso em toda a Rússia.
Aclamado como gênio pelos mais exigentes críticos da época, entre eles Bielínski, que o considera o primeiro romancista social da Rússia, e Nekrassov que vê em Dostoievski um novo Gogol, em homenagem ao primeiro romancista russo moderno.
Entre suas obras de maior importância destacam-se os romances O Idiota, Crime e castigo, Os Demônios e Os irmãos Karamazov.
Publica também inúmeros contos: O Mujique Marëi, O Sonho de um Homem Ridículo, Bobock e outros; além de novelas: O Senhor Prokhartchin, A Dócil, O homem debaixo da cama, Uma História Suja e O pequeno héroi. Cria duas revistas literárias: O Tempo (Vrêmia) e Época, e ainda colabora nos principais órgãos da imprensa Russa.
O reconhecimento definitivo de Dostoievski como escritor universal surge somente depois dos anos 1860, com a publicação dos grandes romances: O idiota e Crime e castigo. Seu último romance,Os irmãos Karamazov , é considerado por Freud como o maior romance já escrito."
O deserto, qualquer que seja ele, nos faz entender melhor quem somos nós e o que nos é oferecido por Deus, poder de sermos filhos e estarmos com Ele na alegria ou na dor.
"Senhor, Tu Tens Meu Coração
E eu procurarei pelo Teu
Jesus tome minha vida
E me guie

Senhor, Tu Tens Meu Coração
E eu procurarei pelo Teu
Deixa-me ser pra Ti
Um sacrifício

E eu Te louvarei Senhor
E eu cantarei para que o amor desça
E se Tu mostrares Tua face
Nós veremos Tua glória aqui"

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Luzes

"...pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz"
(Efésios 5:8)


Quando estamos dirigindo a noite, e um carro coloca o farol forte no nosso retrovisor, o que acontece?Ficamos ofuscados, não definimos muito bem o que está acontecendo, não enxergamos muito bem quem fez isto, mas sabemos que essa pessoa tão "boazinha" está lá, e não vai deixar de colocar seu farol em nossas costas, até nos desviarmos do caminho e deixar que ela passe. Na escuridão da noite não conseguimos enxergar nem a nós mesmos, e ofuscados, não vemos quem nos rodeia.
Pela manhã, percebemos que tudo fica claro a nossos olhos, não há nada que esteja encoberto pela penumbra, pela escuridão e em lugares abertos, praticamente não precisamos de luz artificial, o sol já faz esse trabalho. Nos mostra como somos e mostra aos outros que nos rodeiam. E caso algum carro queira nos ultrapassar é bom que use outra tática, por que farol alto não vai adiantar mesmo.
Como a luz do carro a noite, assim é luz do mundo, nos ofusca, perdemos o rumo, o discernimento, ela não nos mostra quem somos ou quem nos rodeia, nos atordoa, nos faz parar em meio a caminhada, para entender o que está acontecendo, nos faz sair de nossas metas, de nosso caminho ou continuar andando ofuscados até o fim do percurso. As luzes do mundo são como olofotes gigantes, virados para nós, que momentaneamente parecem nos dar prazer, pois somos o centro das atenções de outros, mas na realidade, não conseguimos nem enxergar a esses outros que nos olham, nem discernir quem somos nós e quando se apagam os olofotes,ficamos sós e no escuro profundo, pois quanto maior a luz, quando elas se apagam é tanto maior as trevas. As luzes do mundo...Elas nos cegam.Mas quando olhamos para a luz de Cristo, podemos perceber que ela nos mostra quem realmente somos, quem nos rodeia e qual o nosso caminho. A luz dEle, não brilha de fora para nos iluminar, mas brilha de dentro de nós e inlumina a todos os que nos rodeiam, deixando tudo claro e perfeito, nos mostra onde estamos pisando, por onde podemos andar. A luz de Deus nos faz ser luz e não apenas receber a luz sobre nós. Ser luz no Senhor, você já pensou o quanto isto é lindo? É lindo pois podemos realmente perceber que nada é mais claro e mais patente que a luz e nada debaixo dela pode se esconder, ficar oculto.Tudo fica a vista de todos. Se somos luz, tudo ao nosso redor, por onde passamos, se torna luz também, pois onde há trevas pode haver luz, mas onde há luz, nunca mais haverá travas. Quem escolhe as luzes do mundo, permanecerá ofuscado, cego e perdido, desviando-se do seu próprio caminho, sem conseguir chegar a lugar algum, pode ser até que tenha alguns minutos de prazer, mas quão grandes serão as trevas depois disto, a tristeza que invade a alma solitária e sem Deus. Mas quem segue a Cristo jamais, nunca mais, em dia algum andará em trevas (Então Jesus tornou a falar-lhes, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue de modo algum andará em trevas, mas terá a luz da vida.-JOÃO 8:12).
Seus caminhos serão planos e estará sendo guiado pelo PAI das luzes que trabalha para os que NELE esperam. Por que " a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais ATÉ SER DIA PERFEITO".
Os que estão na Luz, desejo que permaneçam nela, andem como filhos da LUZ, cuidado para que a luz do mundo não engane, nem ofusque e os que ainda não conhecem, ela é de graça e o preço já foi pago um dia no Calvário, na cruz, com sengue por Cristo Jesus, a Luz do mundo, para que vocês pudessem andar nela, senti-la e sê-la!




Paz




Filha da Luz

domingo, 19 de agosto de 2007

Visões de um cego

Engraçado como é a vida, às vezes ouvimos o que não esperavamos e aí abre-se imediatamente uma luz em nossa mente! Um flash, rápido e certeiro que muda toda nossa perspectiva diante dela.Foi assim hoje, estava sentada, voltando da faculdade, quando ouvi uma conversa muito interessante. Tentei não ouvir, tentei fixar na música que estava tocando, mas se fez impossível, a conversa estava por demais interessante.As duas pessoas estavam conversando sobre as alegorias de um filme, as quais chamaram muito minha atenção, principalmente uma, que falava sobre um cego que andava guiando um grupo de pessoas com visão normal.Ele andou por muito tempo guiando-as e então, de repente, estas pessoas pararam, estatizadas pela visão à frente,era um imenso deserto. Pensaram: e agora?Mas apenas o cego continuou caminhando pelo deserto, eles, os que enxergavam, ficaram desorientados. Então o cego disse que aquilo não era a realidade do que estavam vendo, que eles tinham que continuar e vencer o deserto.
Foi aí que o flash do começo veio até minha mente e de cega passei a ver.
Muitas vezes olhamos para os nossos problemas e os vemos como imensos desertos, mas na realidade aquilo tudo toma uma proporção muito maior do que ela realmente tem, aí estatizamos diante da secura, falta de água, sol escaldante, areias sem fim.Se fechamos os olhos e confiamos na visão do caminho que temos, como o cego, é certo que vamos chegar ao nosso destino, ele está lá em nossa mente e coração tão certo como respiramos. A coragem vem de onde não vemos e então conseguimos seguir adiante.
A ousadia de não ver os percausos nos faz dar mais um passo. E outro passo. E assim encontramos o nosso alvo.
Se os seus olhos só enxergam o deserto a sua frente, feche os olhos, torne-se cego para as visões que o mundo dá e ouça a voz de Deus.Não consegue distinguir qual a voz dele e qual a do mundo? Achegue-se a Ele e cada vez a voz estará mais perto e mais perto. Então você verá o caminho no deserto, a saída, e poderá descansar seguro quando chegar, enfim, a terra prometida.Para não deixa-los curiosos quanto ao filme, tomei coragem, pedi desculpas por ouvir a conversa e perguntei o nome - "O enigma de Kaspar Hauser". Mas para mim, eles estavam falando sobre a vida, todos os dias.

sábado, 18 de agosto de 2007

Fidelidade

Estavamos conversando, minha irmã e eu hoje pela manhã e lembramos de um exelente filme: Antes que termine o dia. O filme conta a história de um casal, ela busca demonstrar seu amor por ele em todo o tempo e ele busca sucesso em sua vida profissional, no entanto um acidente transtorna os planos deles. Na manhã seguinte ele acorda e percebe que teve uma segunda chance. O resto do filme não vou contar, pois seria de extremo mal gosto e espero que tenham a curiosidade de assistir. O que ficou em minha mente o dia inteiro foi o seguinte pensamento: Deus nos dá essa segunda chance todos os dias! Que maravilhosa graça!Nos acordamos, mal humorados ou não, nos vestimos, vamos ao trabalho,fazemos tantas coisas durante nossos dias e talvez, nem por um instante, nos lembremos disso. É como se isso não fosse uma verdade para nós e como se esse tempo novo que Deus nos dá todos os dias, cheio de misericórdia e grandeza, um dia inteiro, nao significasse nada e não nos mostrasse que temos tempo de mudar,de crescer, de sermos diferentes e de agradecermos pelas misericórdia dEle, que é a única causa de não sucumbirmos ao mundo. Se de nós Ele não tivesse misericórdia, nem respirando eu estaria, nem você lendo, se Sua compaixão por nós não fosse tão grande, não estariamos aqui, meus orgãos parariam de funcionar, todos eles, com apenas um minuto longe das miséricordias do Senhor.
Misericórdia - ajuda não merecida.
Vivemos como o rapaz do filme, em busca de nossos próprios interesses, de nossa satisfação, de luzes, prazer, em busca de nossa própria vida. E esperamos que Deus esteja, o tempo inteiro demonstrando Seu amor por nós. Esperamos,e é exatamente isso que Ele faz, apesar de sermos tão egoístas, Ele está lá derramando seu amor e infinita bondade a cada manhã.Ele veio, sofreu por amor, morreu por amor, é impossível saber o preço que Ele pagou ali naquela cruz tudo por nos amar. Pequenos, pobres, fracos e pó, feitos filhos de Deus pela morte de Cristo. Digo agora, nessa hora, que o que deveriamos realmente fazer, todos os dias, era nos prostrarmos e adorarmos a esse Deus, a esse Cristo que apesar de tanta glória, apesar de estar exaltado acima dos céus, se tornou homem, igual a você e a mim, por amor.E é esse amor que te faz respirar nesse momento.
Quanto custou para que suas misericórdias se renovassem a cada manhã? Todo o sangue do único que podia nos salvar da morte e do inferno, Jesus Cristo.
Entender?Não podemos. Mas podemos fazer algo, agora, hoje, ainda nessa hora do dia, quando o dia está começando ou ainda não acabou. Podemos mudar, sermos diferentes, amar ao próximo, acreditar que Deus é fiel sempre, aprender que tudo o que acontece é para o bem dos que amam a Deus, deixarmos de ser egoístas, hipócritas, avarentos, maus, saber que hoje ainda não terminou, que o problema do dia de hoje pode ser grande, mas que amanhã temos um dia cheio de misericórdia, nova, viva e limpa, vinda do Pai das Luzes que não pode mentir e que esse problema não é tão grande para um Deus infinito. Podemos pedir a Cristo, que venha encher nosso coração da presença dEle e nos prostarmos só para agradecer as 24 horas do dia. Horas de infinita misericórdia.Precisamos enxergar os nossos dias, todos eles, como uma nova chance, chance de amor e mudança, antes que chegue o último deles e olhemos para trás não conseguindo enxergar nada de bom em nenhum deles.
Na realidade, o que desejo, é que possamos olhar para trás, no último de nossos dias e exclamar: Grande é a tua fidelidade!
. Filha da Luz .

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Não há Limites

"Carl Boberg, inspiradíssimo com esse mundo fascinante que Deus, o Criador, arquitetou, deixou marcado por seu coração apaixonado uma das letras mais preciosas, o cerébre "How Great Thou Art" - "Quão Grande És tu", uma mensagem de coragem, desafio, leva qualquer um a sensibilizar-se com as coisas que Deus colocou diante de nós. O que ele quis dizer é que nascemos para viver dentro desse poder ilimitado criador do nosso Deus. Só por um momento, reflita nesta letra e tire suas próprias conclusões, se devemos nos contentar com apenas o que conseguimos enxergar, ou se devemos ir um pouco mais, pelo menos até onde o nosso Pai eterno está: "Senhor, meu Deus, quando eu contemplo o mundo que Tu criaste, cheio de esplendor, ouço trovões e vejo o mar e os astros na imensidão do teu poder ou quando subo ao alto das montanhas e sinto a brisa me beijar... Então minha alma canta a Ti, Senhor, Quão grande És Tu, quão Grande És Tu; Então minha alma canta a Ti Senhor, quão Grande És Tu, Quão Grande És Tu." O mito do Rock, Elvis Presley, em um dos seus últimos shows, despediu-se da platéia com este hino. Mesmo alheio a uma fé que conheceu quando criança, ao sentir que a sua hora se aproximava, prepara-se mais uma vez para encarar uma alucinada platéia, enlouquecida pelo seu ídolo já quase vencido pelo seu inimigo mortal. Elvis leva o seu público mais uma vez ao delírio. Só que dessa vez havia uma surpresa: quando o show parecia acabar, uma música suave entra em cena. Que música seria? Era exatamente um dos hinos que Elvis aprendera quando criança: "How Great Thou Art" (Quão Grande És Tu). O auditório começa a chorar, o rei do rock não resiste e chora também; afinal, ninguém, ainda que tente, consegue ignorar e ficar indiferente diante de um Deus grandioso e poderoso, quer vivamos na superfície da vida ou não. Acabamos por ver um Deus ilimitado! " Da próxima vez que seus olhos enxergarem as limitações, olhe para o alto, para o céu e veja, olhe nos olhos de seu PAI e creia, esse Grande Deus dos céus sobre quem Carl Boberg escreveu e para quem Elvis Presley cantou, é o seu Pai. Você vê limites na vida, mas para esse Deus criador, simplesmente NÃO HÁ LIMITES! Ele sempre tem o melhor para os seus filhos.

.paz.

Filha da Luz

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

E você faz o que?!

De um lado, prédios luxuosos, shoppings e avenidas largas. Do outro, palafitas sobre áreas alagadas, tráfico de drogas e passarelas improvisadas de madeira. Entre esses dois mundos, uma ponte. Esse é o retrato do centro do Recife, que agrupa em apenas nove bairros o que há de melhor e de pior na cidade. Por trás desses contrastes visíveis a olho nu, os indicadores socioeconômicos mostram que a região é a mais desigual do município.
As discrepâncias em termos de renda, saúde e educação são tamanhas que, de uma avenida para outra, a expectativa de vida dos habitantes chega a variar quase 13 anos. Enquanto um morador da avenida na orla da praia de Boa Viagem vive mais de 78 anos, os habitantes da favela do Coque não chegam a completar 65 anos. A comparação é do geógrafo Jan Bitoun, professor da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), que elaborou alguns dos textos inseridos no Atlas de Desenvolvimento Humano no Recife, elaborado pelo PNUD e parceiros.
Em seu estudo, o professor identifica três padrões de desigualdade no Recife. O mais acirrado deles está exatamente no centro. “É uma região que está recebendo muitos investimentos novos, mas esses investimentos estão ignorando as áreas pobres, que estão sendo tomadas pelo tráfico de drogas. Isso acontece porque, à medida que se tem mais dinheiro circulando, o traficante pode vender a droga mais caro. Então, qual deve ser a diretriz? Tem que dar atenção para aquelas grandes favelas que estão ali do lado”, recomenda Bitoun.
O segundo padrão de desigualdade fica na região intermediária, entre a faixa litorânea e o morro. Trata-se de um trecho historicamente cortado pelas rotas de circulação de mercadorias entre os engenhos e o porto. Com o passar dos anos, a região começou a ser ocupada e os antigos caminhos se tornaram avenidas. “Hoje, quem vive perto das avenidas tem um padrão de vida médio, às vezes até um padrão alto. Mas quem mora nas áreas mais baixas, onde há inclusive problemas de drenagem, tem um IDH mais baixo. No entanto, a desigualdade não é tão intensa quanto no centro”, observa o geógrafo.
De qualquer forma, a desigualdade entre as diferentes regiões nessa zona intermediária também pode ser observada nos índices de longevidade. Os habitantes da região ao longo da avenida Beberibe, que corta os bairros de Cajueira, Água Fria e Porto Madeira, por exemplo, têm uma expectativa de vida de 72 anos, enquanto os que moram à beira do Canal do Arruda vivem pouco mais de 65 anos.
O terceiro padrão de desigualdade é o característico da região dos morros, onde existem aglomerados populacionais encravados na mata. “É uma periferia nova, que começou a se constituir na década de 50 e que tem, em geral, um IDH muito baixo, com exceção de algumas ‘ilhas’ melhores — não que aí situação seja boa, são apenas assentamentos mais consolidados, menos pobres”, descreve Bitoun. Ele adverte que o maior problema está nos bairros que estão surgindo em decorrência do crescimento populacional. “Novas comunidades estão se constituindo praticamente sem nenhuma intervenção do poder público, o que tende a intensificar a desigualdade”, afirma.
Como nessa região periférica a pobreza é generalizada, a desigualdade acaba sendo menos acirrada, de acordo com o professor. “Na área das COHAB UR 1, 2 e 3, a expectativa de vida é de 71 anos, acima da registrada na Vila dos Milagres e Pacheco, que é de 64 anos. São 7 anos de diferença,” aponta Bitoun.

Fonte: http://www.pnud.org.br/pobreza_desigualdade/reportagens/index.php?id01=1928&lay=pde

domingo, 29 de julho de 2007

Como o sangue que nos une


“Todas as coisas são interligadas, como o sangue que nos une. O homem não tece a teia da vida, ele é apenas um fio dela, o que fizer a teia, fará a si mesmo. O destino de vocês é um mistério para nós.”

Partindo desse principio percebe-se que há uma delicada rede que rege os seres humanos, o que fazemos ou deixamos de fazer no presente trará boas ou más conseqüências para nosso futuro. A falta de investimento na educação trouxe sérias conseqüências para essa nação, mas essa situação se faz presente no macro e no micro, considerando o país e nossa região.
Perceber as dificuldades da educação, na rede pública de ensino principalmente, é tarefa fácil para quem se insere nesse contexto, basta um dia dentro de uma sala, ouvindo os relatos dos professores, para perceber a indignação, indignação esta, não contra o sistema, mas contra seus alunos que, assim como eles, os professores, são as maiores vítimas do sistema do nosso país, sistema corrompido.
Tanto as vitimas dos grupos de extermínio, quanto os componentes do grupo, geralmente tem apenas o 1º grau completo, quando muito. Um dos principais motivos para fazer a chamada “limpeza social” (como é chamada a carnificina), é o tráfico de drogas, tráfico este que ocorre dentro das escolas do nosso país, sob o olhar de toda a sociedade que reage de forma apática, sociedade e Estado, apáticos ao sofrimento alheio, porém lutando pelos próprios interesses, individualistas, sem entender que o que se faz ou deixa-se de fazer ao próximo, trará conseqüências não no futuro, mas agora.
É um ciclo, o jovem entra no tráfico ou apóia os grupos de extermínio. Se entrar nas drogas, será perseguido pela polícia e por seus próprios “patrões”, se entrar para um grupo de extermínio, será perseguido pelos mesmos de antes, fica portanto enjaulado, sem escapatória ao se inserir nesse contexto, bombardeado pelo consumismo, o jovem tende a se inserir nele, num país paradoxal.
Se a pesquisa informa que a grande maioria das vítimas do grupo de extermínio são analfabetos ou semi-analfabetos, homem simples, crianças e adolescentes são cerca de 16% do total de mortos, fica claro que isso tem muito a ver com a atenção dada a educação nesse país. É provável que várias crianças e adolescentes sejam eliminados, pela simples desconfiança que no futuro venham se tornar além de “marginais”(pois já o são quando nascem pobres, negros...) um perigo para a sociedade, isto porque em lugar de estarem em escolas, serem incentivadas a estudar, estão nas ruas. Por muitas vezes, chegam até as escolas, mas não tem condições de continuar, tendo, portanto, o direito a educação que consta no estatuto da criança e do adolescente, desrespeitado. A política do governo de dar o peixe em lugar de ensinar a pescar, parece não resolver o problema de quem tem que alimentar famílias com dez, doze crianças, crianças estas trabalham nas ruas, se vendem ao submundo das drogas, a prostituição, para que a família em que elas nasceram sobreviva.
Grupos de extermínio incentivados por donos de estabelecimentos, que por medo dessas crianças, patrocinam os matadores. A participação de policiais e ex-policiais também não está afastada dos casos de extermínio, entre apoio e descaso, eles incentivam essa prática.
Segundo um dossiê "Grupos de Extermínio no Brasil", elaborado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, essas pessoas em sua maioria, são do sexo masculino, negros, pobres e jovens (20 anos em média), são homens e mulheres previamente excluídos de seus direitos. Num contexto mais amplo, pode se dizer que essas pessoas foram excluídas desde a nossa colonização, pelos processos políticos subversivos deste país, os grupos de extermínio são fruto da omissão, conivência e prevaricação das instituições oficiais.
Particularmente, creio que há uma relação entre a baixa escolaridade e a violência, como já citado, não vem de agora, são resquícios de nossa colonização, de nossa educação política, de anos de repressão e ditadura, marcada pela ação de grupos de bandidos que se autodenominam justiceiros, atuando nas camadas marginalizadas por uma sociedade que se acostuma com tudo e até a morte vira forma de sobrevivência e “alimento”. Creio que a relação entre o medo desses grupos por crianças e adolescentes, acaba afastando eles da escola, seja por receio de encontra-los nas esquinas ou mesmo dentro da instituição de ensino, seja por se inserir no contexto deles para poder consumir igual aos demais ou por tentar ser diferente dos mesmos.
A relação que se faz entre uma política corrompida, até nos seus mais altos níveis, que vira o rosto, que bate na face de uma sociedade demente, alienada. Política que age de acordo com suas conveniências, deixando a solta homicidas, por barganhas e prestígio e pessoas que tentam sobreviver dentro dessa política social democrata.
Portanto a relação é muito estreita entre violência na escola e grupos de extermínio e maior ainda entre falta de escolaridade e violência, não só na escola, mas em todas as camadas da sociedade, tal como a teia do início, se mexermos em um fio veremos que todos estão interligados. Enquanto não se reformar a política de ensino desse país, enquanto não formarmos educadores agentes modificadores desse contexto social, seres pensantes, capazes de perceber que, podem sim, transformar sua realidade, inclusive enquanto não apoiarmos todas as áreas da educação, não teremos um país do presente, ele será sempre do futuro e que futuro teremos para os que virão depois de nós?

“Amamos a terra como o recém nascido ama as batidas do coração da sua mãe. Se vendermos a terra, amem-na como nós amamos. Preservem a terra para as crianças e amem-na como Deus nos ama. Sabemos que só existe um Deus.
Nenhum homem, vermelho ou branco, pode viver isolado.
No final das contas, somos todos irmãos”.